Pesquisa da Fiocruz aponta altos níveis de exposição ao metal pesado, especialmente nas aldeias próximas a garimpos ilegais, exigindo ações urgentes para proteger a saúde e o meio ambiente.
Uma pesquisa realizada pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), com o apoio do Instituto Socioambiental (ISA), trouxe à tona uma preocupante realidade vivenciada pelos indígenas Yanomami em Roraima. O estudo analisou amostras de cabelo de cerca de 300 participantes em nove aldeias, revelando que todos os indígenas estão contaminados por mercúrio, com os maiores níveis de exposição registrados nas aldeias localizadas mais próximas aos garimpos ilegais de ouro. As coletas foram realizadas na região do Alto Rio Mucajaí, em outubro de 2022, e os resultados foram divulgados pela Fiocruz nesta quinta-feira (4/4).
Os resultados são alarmantes: quase 11% das amostras apresentaram índices de mercúrio considerados altos, acima de 6,0 microgramas por grama, um patamar que requer atenção especial devido aos sérios riscos à saúde. É importante ressaltar que, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), não há um nível seguro de exposição ao mercúrio.
Crianças da aldeia Yanomami. Foto: Reprodução.
Além da contaminação por mercúrio, o estudo identificou altas incidências de doenças crônicas não transmissíveis, malária, anemia e desnutrição entre os Yanomami. Apenas 15,5% das crianças na região estudada estavam com as vacinas do calendário nacional de imunização em dia.
Diante desse cenário preocupante, os pesquisadores enfatizam a necessidade urgente de ações efetivas, como a interrupção imediata do garimpo ilegal e do uso de mercúrio, a desintrusão dos invasores e a construção de unidades de saúde estratégicas na Terra Indígena Yanomami. Essas medidas são cruciais para mitigar os impactos à saúde e ao meio ambiente causados pela contaminação por mercúrio nessa região, garantindo a proteção e a preservação desse importante grupo étnico e cultural.
“O garimpo é o maior mal que temos hoje na Terra Yanomami. É necessário e urgente a desintrusão, a saída desses invasores. Se o garimpo permanece, permanece também a contaminação, devastação, doenças como malária e desnutrição e isso é o resultado dessa pesquisa, é a prova concreta!”, enfatiza o vice-presidente da Hutukara Associação Yanomami (HAY), Dário Vitório Kopenawa.
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