Como a imprensa contabiliza os votos nas eleições americanas

Durante a Super Terça-feira, em 3 de março de 2020, a editora política Ashley Thomas registra o primeiro alerta de notícias da AP, com a supervisão da editora executiva Julie Pace e do vice-chefe do escritório de Washington, Steven Sloan. Foto: Jon Elswick/AP.

 

A importância da Associated Press na apuração dos resultados eleitorais e os desafios do sistema democrático dos EUA.



Por Gilvania Alves|GNEWSUSA 

Na noite do dia 5 de novembro, uma pergunta ecoará repetidamente nos lares americanos: “Quem venceu a eleição presidencial?” Diferentemente do Brasil, onde o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) centraliza a apuração dos votos, nos Estados Unidos esse processo é descentralizado e complexo, o que confere um papel crucial à imprensa na contagem dos resultados.

A Associated Press (AP) tem uma longa trajetória de 178 anos, consolidando-se como uma das fontes mais respeitáveis para a contagem de votos nas eleições dos Estados Unidos. Com dados de mais de 5 mil disputas eleitorais em todo o país, a agência oferece informações precisas e padronizadas. Em um cenário onde cada estado possui autonomia em suas regras eleitorais, essa confiabilidade se torna ainda mais essencial.

Nos Estados Unidos, o sistema de votação é variado. Algumas localidades utilizam cédulas de papel, enquanto outras optam por urnas eletrônicas ou permitem a votação pelo correio. Essa diversidade faz com que a apuração dos votos possa levar dias, uma vez que cada estado realiza sua contagem de forma independente. Por isso, o público pode esperar dias até saber quem será o novo presidente.

A Associated Press enfatiza que “apenas uma análise cuidadosa e completa de todos os dados eleitorais pode determinar quem será o vencedor. A agência frequentemente faz projeções para indicar quem foi o candidato mais votado em cada estado antes mesmo de a apuração ser finalizada. Segundo Julie Pace, editora-executiva da AP, “desde o início da república, as eleições nos EUA são geridas nos níveis estadual e local; não há um órgão federal que conte os votos ou compartilhe os resultados. É por isso que a AP entrou em cena para preencher esse vazio logo após nossa fundação em 1846 – para entregar os resultados das eleições ao mundo de forma independente”.

A apuração dos votos

A contagem dos votos não é realizada diretamente pela AP, mas sim pelas autoridades eleitorais locais que administram as eleições em cada estado. De acordo com a Constituição dos Estados Unidos, cada estado determina suas próprias regras para as eleições, resultando em 51 conjuntos de normas diferentes, incluindo o Distrito de Colúmbia. Algumas dessas regras favorecem mais os eleitores, como em New Hampshire, onde os resultados podem ser oficialmente certificados poucos dias após a votação. Já na Califórnia, a tabulação pode levar várias semanas, com resultados finais disponíveis apenas no início de dezembro.

Como David Scott, presidente da AP, explica, “o que estamos fazendo é costurar todos os totais de votos de milhares de condados e cidades em todo o país em um formato único e padronizado, para que os eleitores tenham acesso ao total geral de votos para uma disputa”.

Como os vencedores são declarados

A eleição presidencial nos Estados Unidos ocorre através do Colégio Eleitoral, no qual cada estado possui um peso diferente. Para vencer, um candidato precisa conquistar 270 dos 538 delegados do Colégio Eleitoral. Por exemplo, a Califórnia possui 54 delegados, enquanto o Texas tem 40. O candidato mais votado em um estado leva todos os delegados desse estado, mesmo que a vitória seja por apenas um voto. Um exemplo emblemático foi em 2016, quando Hillary Clinton foi a candidata mais votada nacionalmente, mas Donald Trump venceu ao somar mais delegados no Colégio Eleitoral.

A AP pode declarar um vencedor em um estado mesmo antes de 100% dos votos serem contados, desde que a análise de dados indique que o candidato à frente não pode ser superado. Essa análise leva em consideração o andamento da apuração, histórico de votos, dados demográficos e pesquisas realizadas pela AP.

O Desafio do voto não obrigatório

Um aspecto que complica a contagem e a projeção de vencedores é que, nos Estados Unidos, o voto não é obrigatório. Assim, as autoridades eleitorais não conseguem precisar o percentual exato de votos apurados. Contudo, a AP faz estimativas ao solicitar informações sobre o número de cédulas de voto ausente e votos antecipados registrados.

O grande esforço da AP começa após o fechamento das urnas, com aproximadamente 4.000 repórteres de contagem de votos se espalhando pelos distritos e escritórios eleitorais. Os repórteres da AP estão presentes em quase todos os escritórios eleitorais, coletando dados diretamente das fontes e transmitindo as informações para o centro de entrada de votos da agência.

A AP também monitora sites governamentais oficiais e recebe dados de funcionários eleitorais, garantindo que a apuração seja verificada por múltiplas fontes. Durante a noite da eleição, a AP pode contar com até cinco ou seis fontes potenciais de resultados eleitorais em cada condado, assegurando a precisão das informações que apresenta ao público.

Em suma, a apuração das eleições nos Estados Unidos, com sua complexidade e descentralização, destaca a importância da Associated Press como um baluarte de transparência e confiabilidade na contagem dos votos, enquanto os cidadãos aguardam ansiosamente a resposta à pergunta: “Quem venceu a eleição presidencial?”

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