Conselho deliberativo do Corinthians vota impeachment de Augusto Melo em meio a polêmica e acusações

Foto: Reprodução.
Presidente afirma não recorrer à Justiça para barrar votação e critica oposição, enquanto conselheiros decidem seu futuro político no clube.
Por Schirley Passos|GNEWSUSA

O presidente do Corinthians, Augusto Melo, declarou que não irá recorrer à Justiça Comum para impedir a votação do seu impeachment, marcada para esta segunda-feira (20), pelo Conselho Deliberativo do clube. A reunião ocorre em meio a um cenário de acusações e instabilidade política, com a gestão de Melo sendo alvo de críticas por supostas irregularidades.

O principal motivo do pedido de impeachment é a suspeita de irregularidades no contrato firmado com a casa de apostas VaideBet, atualmente sob investigação da Polícia Civil. Outros questionamentos envolvem a gestão financeira e decisões administrativas que, segundo opositores, teriam prejudicado a imagem e o patrimônio do clube.

No final de 2024, uma tentativa de votação foi frustrada após Augusto Melo obter uma liminar judicial momentos antes do encontro. Desta vez, porém, ele decidiu permitir o andamento do processo:

“Não vou buscar a Justiça. Dei a ordem: “deixa acontecer”. Está na hora de acabar com isso para ver se esses caras sossegam. Eles sabem que não têm mais condições de vencer uma eleição no Corinthians. Quem faz mal ao clube tem que ser expulso”, declarou o mandatário após a vitória do Corinthians sobre o Velo Clube por 2 a 1, pela segunda rodada do Campeonato Paulista.

Críticas aos opositores

Augusto Melo ainda disparou contra grupos políticos que pedem sua saída, classificando o processo como uma tentativa de golpe:

“Mais uma vez, é uma tentativa de golpe. Querem o poder na mão grande, mas não vai acontecer. Busquei mais de R$ 1,8 bilhão em receitas para o clube e estou reformulando contratos ruins. Isso incomoda algumas pessoas”.

Se a maioria dos conselheiros votar pelo impeachment, Augusto será afastado do cargo de maneira provisória. O processo, então, seguirá para os sócios do clube, que decidirão em assembleia geral se o presidente será destituído de forma definitiva.

Caso os associados aprovem o impeachment, o primeiro vice-presidente, Osmar Stábile, assumirá interinamente até que novas eleições sejam realizadas, com participação exclusiva dos conselheiros. Se o impeachment for rejeitado, Augusto Melo retomará suas funções normalmente.

Entenda o processo

Embora envolva argumentos jurídicos, o processo de impeachment no Corinthians é essencialmente político. O estatuto do clube estabelece como motivos para destituição:

  • Prática de crime infamante com sentença transitada em julgado;
  • Ação ou omissão que cause prejuízo significativo ao patrimônio ou à imagem do clube;
  • Reprovação das contas da gestão;
  • Descumprimento de normas estatutárias;
  • Atos de gestão irregular ou temerária.

Os autores do pedido alegam que a administração de Melo teria violado o estatuto do clube e a Lei Geral do Esporte, além de comprometer a imagem da instituição em meio a denúncias e investigações.

Repercussão no clube

O cenário de instabilidade política tem refletido nos bastidores do Parque São Jorge. Conselheiros da oposição pressionam pela destituição do presidente, enquanto aliados de Augusto Melo tentam conter a crise e manter o controle da situação.

O técnico Ramón e os jogadores evitam se envolver diretamente na questão, mas comemoraram o resultado positivo em campo no último domingo, ressaltando a importância de manter o foco no desempenho esportivo:

“Quando o Corinthians vence, a semana começa melhor “, afirmou Careca, representante da torcida no “Voz da Torcida”.

Próximos passos

A reunião decisiva será realizada nesta segunda-feira à noite, com expectativa de participação massiva dos conselheiros. O resultado definirá os próximos capítulos de uma das maiores crises políticas da história recente do Corinthians.

Se confirmada a destituição, será a primeira vez em décadas que um presidente será afastado do cargo antes do término de seu mandato. Augusto Melo, que assumiu a presidência em 2022, tem mandato previsto até o final de 2026.

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