Brasil registra aumento no consumo de cigarros e vapes; jovens lideram uso de dispositivos eletrônicos

Foto: pexels
Estudo do Inca aponta crescimento de 25% no tabagismo tradicional e recorde no uso de cigarros eletrônicos entre adultos; governo anuncia novas ações de combate ao fumo.
Por Paloma de Sá |GNEWSUSA

Na semana do Dia Mundial Sem Tabaco, o Ministério da Saúde divulgou, nesta quarta-feira (28), dados alarmantes sobre o avanço do tabagismo no Brasil. Estudo do Instituto Nacional de Câncer (Inca) revela que o país enfrenta um retrocesso de uma década na luta contra o fumo, com aumento expressivo tanto no uso do cigarro convencional quanto dos dispositivos eletrônicos para fumar (DEFs), popularmente conhecidos como cigarros eletrônicos ou “vapes”.

Crescimento no uso de vapes: maior índice desde 2019

Segundo a pesquisa, 2,6% da população adulta brasileira utilizou cigarros eletrônicos em 2024 — o maior patamar registrado desde 2019, ano em que a série histórica começou a ser monitorada. O crescimento em relação ao ano anterior foi de 24%.

O dado mais alarmante, porém, está entre os jovens de 18 a 24 anos: essa faixa etária concentra a maior taxa de uso dos DEFs, o que motivou o Ministério da Saúde a direcionar sua nova campanha de prevenção especialmente a esse público. De acordo com o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, o objetivo é intensificar ações educativas por meio das redes sociais e outras ferramentas de comunicação voltadas aos jovens.

Aumento de 25% no uso do cigarro tradicional

Outro dado que preocupa as autoridades é a elevação no consumo de cigarros convencionais. A taxa de tabagismo subiu 25% em 2024, atingindo 13,8% da população brasileira adulta. Esse número não era observado desde 2014, o que levou o Inca a classificar a situação como um “retrocesso de 10 anos” no combate ao tabagismo.

Medidas reforçadas contra os cigarros eletrônicos

Embora os cigarros eletrônicos estejam proibidos no Brasil desde 2009, seu consumo segue em alta, especialmente entre os mais jovens. Para conter esse avanço, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) publicou em abril de 2024 uma nova resolução (RDC nº 855/2024), que amplia as restrições: além de manter a proibição de venda, importação e propaganda, a norma agora também veta a fabricação, armazenamento, transporte e uso desses dispositivos em locais fechados.

“O Brasil tem uma das menores taxas de uso de DEFs no mundo justamente por manter essa regulação firme. A decisão da Anvisa está correta e precisa ser acompanhada de campanhas educativas para alcançar os jovens”, destacou o ministro Padilha.

Impacto econômico e sanitário

Os danos provocados pelo tabaco custam caro ao Brasil. Estimativas do Inca apontam que o país gasta R$ 153,5 bilhões por ano com doenças relacionadas ao tabagismo — valor que inclui tratamento médico, perda de produtividade, mortes prematuras, incapacidades e cuidados informais. Esse custo representa 1,55% do Produto Interno Bruto (PIB).

Em contrapartida, a arrecadação de impostos federais com a indústria do tabaco foi de apenas R$ 8 bilhões em 2022, cobrindo apenas 5,2% dos custos totais provocados pelo fumo. “Precisamos deixar claro que o cigarro prejudica não apenas a saúde das pessoas, mas também a economia do país”, reforçou Padilha.

Alta no número de mortes

O tabagismo é responsável por cerca de 477 mortes por dia no Brasil, totalizando aproximadamente 174 mil óbitos evitáveis por ano. Entre as principais causas estão: doenças cardiovasculares, diversos tipos de câncer, AVC, Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC), diabetes tipo 2 e o fumo passivo — que sozinho é responsável por 20 mil mortes anuais.

Tributação como ferramenta de prevenção

O diretor-geral do Inca, Roberto Gil, atribui parte do aumento no consumo do cigarro convencional à queda no preço do produto. “O cigarro no Brasil é um dos mais baratos das Américas”, afirmou. Gil destacou a importância da Reforma Tributária, que prevê a criação do Imposto Seletivo (IS), como uma estratégia eficiente para elevar os preços e desestimular o consumo.

“Aumentar os tributos sobre produtos nocivos à saúde, como o cigarro, é uma medida essencial. A experiência internacional mostra que isso salva vidas”, completou.

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