Venezuelanos estão deixando os Estados Unidos em barcos, após perderem o Status de Proteção Temporária (TPS).
Por Chico Gomes | GNEWSUSA
Devido ao aumento da pressão contra a imigração ilegal nos Estados Unidos, milhares de venezuelanos que migraram para o país estão tentando voltar para casa por rotas perigosas, através do mar e da terra, enfrentando riscos como sequestro e extorsão. Quem opta por sair dos EUA desse modo diz que está reagindo às ameaças de deportação, como a suspensão do Status de Proteção Temporária (TPS), risco de prisão e a retomada dos voos de repatriação para Caracas.
Após o governo local praticamente bloquear a travessia pela selva do Darién, uma das mais perigosas do mundo, os migrantes passaram a buscar rotas alternativas para se “autodeportar”. Relatos indicam pagamento de até US$ 350 por uma travessia marítima do Panamá à Colômbia, diante de riscos de naufrágio, falta de comida e calor intenso. Em maio, um grupo ficou à deriva até ser resgatado.
Chegando na fronteira colombiana, os venezuelanos se deparam com áreas controladas por narcotraficantes e milicianos, onde é preciso pagar pedágio, abrigo e comida. Estimativas indicam que mais de 10 mil pessoas, praticamente todas da Venezuela, pegaram barcos do Panamá para a Colômbia desde janeiro deste ano.
O número ainda é pequeno se comparado às centenas de milhares de venezuelanos que entraram nos Estados Unidos e no México nos últimos anos, fugindo da ditadura de Maduro, mas a nova e movimentada rota de barcos em direção à América do Sul é um claro sinal que as táticas contra a imigração ilegal do governo Trump têm surtido efeito.
Imigração de venezuelanos em queda
A maior parte das pessoas que fazem a “migração reversa” sai das cidades de El Paso, Houston e Chicago. Muitos reclamam de dificuldades para conseguir emprego e o medo constante de prisão pelas autoridades federais dos Estados Unidos. Dados da Patrulha da Fronteira apontam que o número de venezuelanos cruzando ilegalmente para o país caiu de 49 mil em dezembro de 2024 para 17 mil em abril. Uma queda considerável.
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