Vice tenta pressionar Casa Branca, mas governo Biden-Trump ignora carta brasileira há dois meses e reforça prioridade para proteger indústria dos EUA.
Por Gilvania Alves|GNEWSUSA
Mesmo após insistentes tentativas do vice-presidente Geraldo Alckmin, o governo dos Estados Unidos, sob a liderança de Donald Trump, mantém sua postura firme de defesa dos interesses norte-americanos. Na última terça-feira (15), Alckmin admitiu que, há dois meses, enviou uma carta “confidencial” à Casa Branca solicitando uma negociação para reverter as novas tarifas aplicadas pelo presidente Trump contra produtos brasileiros — mas não recebeu resposta até agora.
“Destacar que sempre teve diálogo. Eu mesmo conversei com Howard Lutenich, que é o secretário [de Comércio dos Estados Unidos], com o embaixador [Jamieson] Greer, da USTR [Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos], o Itamaraty também, depois mandamos até uma carta, pedido deles, confidencial, sobre negociação, até o dia 4 de julho, aliás, feriado norte-americano. Teve uma reunião de trabalho entre os técnicos, então sempre houve diálogo”, afirmou o vice-presidente após encontro com representantes da indústria.
Em abril, Trump já havia imposto uma sobretaxa de 10% sobre diversos produtos brasileiros e elevou em 25% o imposto sobre aço e alumínio exportados para o mercado norte-americano. A nova tarifa, agora de 50% para determinados produtos, está programada para vigorar a partir de 1º de agosto.
Segundo Alckmin, a estratégia do Planalto é continuar enviando pedidos formais. “De uma carta, há dois meses, com uma carta confidencial sobre tratativas de acordo, de entendimento, mas não obtivemos resposta. Faz dois meses. Então, o que nós vamos encaminhar é uma carta dizendo ‘aguardamos a resposta e continuamos empenhados em resolver esse problema’”, declarou.
Enquanto o governo brasileiro aposta em cartas e reuniões, Trump reforça o compromisso de proteger empregos e fortalecer a indústria interna dos EUA. A decisão de elevar tarifas faz parte de uma política econômica que busca equilibrar a balança comercial norte-americana e reduzir a dependência de produtos estrangeiros.
Mesmo diante da ameaça do Palácio do Planalto de recorrer à chamada Lei da Reciprocidade Econômica para tentar retaliar, o governo Trump segue inabalável, sinalizando que priorizará o interesse da economia local.
A nova rodada de taxações é vista por analistas como mais um sinal de que Trump mantém firme sua promessa de campanha: blindar os trabalhadores americanos de concorrências que possam prejudicar a produção doméstica. Até lá, Alckmin promete continuar insistindo em “diálogo”, mas o Planalto encontra cada vez mais dificuldade para flexibilizar decisões que têm apoio popular nos Estados Unidos.
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