Mulher foi condenada a oito anos e meio de prisão por liderar esquema que permitiu que norte-coreanos conseguissem empregos em mais de 300 empresas.
Por Tatiane Martinelli | GNEWSUSA
A norte-americana Christina Marie Chapman, de 50 anos, foi sentenciada a oito anos e meio de prisão por comandar um sofisticado esquema de fraude que permitiu a cidadãos norte-coreanos se infiltrarem em mais de 300 empresas dos Estados Unidos. A operação ilegal movimentou mais de US$ 17 milhões (cerca de R$ 94 milhões), valores que teriam sido direcionados ao regime de Pyongyang, segundo promotores federais.
Ex-massagista e garçonete, Christina confessou ter roubado identidades de 68 cidadãos americanos, que foram repassadas a estrangeiros para garantir empregos remotos em grandes companhias norte-americanas — incluindo empresas renomadas como a Nike, um canal de TV e uma firma de tecnologia no Vale do Silício.
Ela se declarou culpada, em fevereiro de 2025, pelos crimes de conspiração para fraude eletrônica, roubo qualificado de identidade e lavagem de dinheiro. Christina havia sido presa preventivamente em maio de 2024, no estado do Arizona, ao lado de três norte-coreanos envolvidos diretamente no esquema. De acordo com o Departamento de Estado dos EUA, os estrangeiros tinham vínculos com o Departamento de Indústria de Munições da Coreia do Norte, responsável por armamentos e mísseis balísticos.
Durante as investigações, as autoridades descobriram que Chapman havia enviado ao menos 49 dispositivos eletrônicos para uma cidade chinesa próxima à fronteira norte-coreana. Na casa dela, agentes encontraram mais de 90 laptops, levando os investigadores a apelidarem o local de “Fazenda de Laptops”. Os equipamentos eram usados para simular a presença física dos falsos trabalhadores nos EUA, garantindo acesso remoto às redes corporativas das empresas.
Além de estruturar toda a operação, Christina também era responsável por receber e repassar os salários obtidos ilegalmente. Para manter o esquema em funcionamento, ela chegou a contratar dois cúmplices. A operação durou entre 2020 e 2023.
Como parte da sentença, ela foi condenada a restituir US$ 176,8 mil (cerca de R$ 980 mil), valor que teria lucrado diretamente, e outros US$ 284 mil (aproximadamente R$ 1,5 milhão) relacionados aos repasses feitos aos trabalhadores norte-coreanos.
“A Coreia do Norte não é apenas uma ameaça estrangeira, é um inimigo que atua internamente. Está fraudando cidadãos, empresas e bancos americanos — e isso representa um risco real à segurança nacional”, afirmou a procuradora-geral Jeanine Pirro. O agente do FBI Roman Rozhavsky complementou, em entrevista, que os recursos foram utilizados para financiar o programa nuclear do país asiático.
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