Preço dos novos medicamentos contra HIV exclui brasileiros da prevenção

Foto: internet

Apesar da eficácia de até 95%, opções injetáveis como cabotegravir e lenacapavir seguem fora do alcance da maioria devido a custos elevados e barreiras de produção de genéricos

Por Paloma de Sá |GNEWSUSA

Durante audiência pública na Câmara dos Deputados, representantes da sociedade civil cobraram medidas para ampliar o acesso a medicamentos inovadores de prevenção ao HIV/Aids no Brasil. O debate foi motivado pelo alto custo das versões disponíveis e pela exclusão do país da lista de nações autorizadas a produzir genéricos, mesmo após participação em ensaios clínicos.

Crescimento das infecções na região

Segundo o Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/Aids (Unaids), a América Latina concentra 13% das novas infecções globais registradas entre 2010 e 2024, sendo uma das poucas regiões em que os casos continuam a aumentar. Nesse cenário, medicamentos injetáveis de longa duração, como o cabotegravir e o lenacapavir, representam alternativas eficazes, com mais de 95% de proteção contra o vírus.

Medicamentos ainda fora do alcance

Atualmente, o cabotegravir está disponível apenas no mercado privado brasileiro desde agosto de 2025, ao custo médio de R$ 4 mil por dose — o equivalente a 2,5 salários mínimos — sem previsão de oferta no SUS. Já o lenacapavir, aplicado a cada seis meses, ainda aguarda aprovação da Anvisa. Nos Estados Unidos, onde já é usado, o valor anual ultrapassa US$ 28 mil por paciente.

Exceção na produção de genéricos

Em nota, o Unaids criticou a exclusão do Brasil da licença de fabricação de versões genéricas, apesar de o país ter participado de ensaios clínicos. Para a coordenadora do Grupo de Trabalho sobre Propriedade Intelectual (GTPI), Susana Van der Ploeg, a justificativa de que o Brasil é um país de renda média ignora as desigualdades sociais profundas.

Vozes do Congresso e da sociedade civil

Na audiência, a deputada Erika Kokay (PT-DF) lembrou que mais de 10 mil pessoas morrem por ano no Brasil em decorrência do HIV/Aids e defendeu que o acesso a medicamentos seja tratado como direito humano. Do lado do governo, a coordenadora de HIV/Aids do Ministério da Saúde, Luciana de Melo, admitiu que o preço elevado é o principal obstáculo para a incorporação no sistema público.

Alternativas e soluções possíveis

Um estudo publicado na revista The Lancet indica que versões genéricas do lenacapavir poderiam custar entre US$ 35 e US$ 46 por ano, chegando a US$ 25 em larga escala de produção. Para Andrea Boccardi Vidarte, diretora do Unaids no Brasil, garantir esse acesso é essencial para atingir as metas globais de combate à epidemia: “É preciso enxergar a saúde como um direito humano, e não como privilégio de quem pode pagar”.

  • Leia mais:

https://gnewsusa.com/2025/09/charlie-kirk-aliado-de-trump-morre-apos-ser-baleado-durante-evento-universitario-nos-eua/

https://gnewsusa.com/2025/09/fifa-confirma-calendario-da-copa-intercontinental-2025-veja-as-datas-dos-confrontos/

https://gnewsusa.com/2025/09/corinthians-recebe-athletico-pr-em-duelo-decisivo-por-vaga-na-semifinal-da-copa-do-brasil/

Seja o primeiro a comentar

Faça um comentário

Seu e-mail não será publicado.


*