Caso Ruy Ferraz: ex-delegado guardava rascunho sobre indícios de corrupção na prefeitura

Documento no notebook de Ruy levantava suspeitas de irregularidades em licitações

Por Ana Raquel |GNEWSUSA 

O ex-delegado Ruy Ferraz Fontes, morto a tiros após sair do trabalho em Praia Grande (SP), deixou para trás um documento que reacendeu suspeitas sobre fraudes em contratos públicos da prefeitura. O material, localizado em seu notebook pela Polícia Civil, indicava que ele preparava uma denúncia ao Ministério Público envolvendo procedimentos licitatórios suspeitos.

Ruy, que atuava como secretário municipal de Administração, foi emboscado no fim do expediente e morto em 15 de setembro. A investigação inicial levou ao indiciamento de 12 pessoas, mas novas descobertas abriram caminhos paralelos para apurar possíveis crimes envolvendo servidores e empresários da região.

Com o arquivo encontrado, o Departamento Estadual de Homicídios solicitou medidas cautelares e instaurou um inquérito autônomo para aprofundar a suspeita de fraude em licitações e lavagem de dinheiro. Cinco servidores chegaram a ser alvos de buscas realizadas pelo Deic de Santos.

Apesar disso, o Ministério Público de São Paulo descartou que a execução estivesse ligada à atuação administrativa de Ruy. Para o MP-SP, o assassinato foi uma vingança do PCC, motivada pelo histórico do ex-delegado no combate ao crime organizado. Segundo as investigações, o grupo planejava o ataque desde março de 2025, utilizando imóveis de apoio, armas de grosso calibre e veículos furtados.

O MP-SP denunciou oito integrantes do esquema, apontados por logística, apoio, ocultação de armas e participação direta na execução. Entre eles, estão foragidos, presos e integrantes com função de disciplina dentro do PCC.

Denunciados pelo MP-SP:

Felipe Avelino da Silva (Mascherano) – furtou e adulterou o Jeep Renegade usado no crime.

• Flávio Henrique Ferreira de Souza – ligado ao furto do veículo; está foragido.

• Luiz Antonio Rodrigues de Miranda – ajudou no planejamento e ocultação de armas; foragido.

• Dahesly Oliveira Pires – responsável por transportar e esconder armamentos após a ação.

• Willian Silva Marques – cedeu imóvel como base e depósito.

• Paulo Henrique Caetano de Sales – participou da logística; preso.

• Cristiano Alves da Silva – envolvido na execução e apoio operacional; preso.

• Marcos Augusto Rodrigues Cardoso (Fiel/Penélope) – apontado como articulador do grupo, com posição de comando dentro da facção.

A Prefeitura de Praia Grande não se manifestou até o momento.

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