Corte global em fundos para o HIV provoca maior retrocesso em 10 anos

Foto: internet
Ajudas internacionais à saúde devem despencar até 40% em 2025, fechando clínicas, cortando equipes e interrompendo atendimentos essenciais em países pobres
Por Paloma de Sá | GNEWSUSA

A resposta mundial ao HIV enfrenta o maior revés em uma década, segundo relatório divulgado nesta terça-feira pelo Programa Conjunto da ONU sobre HIV/Aids (Unaids), às vésperas do Dia Mundial de Luta contra a Aids. O estudo revela que cortes abruptos de financiamento internacional, especialmente após a redução repentina da assistência dos Estados Unidos em fevereiro, desencadearam uma crise que ameaça reverter avanços históricos no combate ao vírus em países de baixa e média rendas.

Financiamento em queda e impacto direto em países vulneráveis

De acordo com o relatório “Superando a Ruptura, Transformando a Resposta à Aids”, a assistência externa à saúde deve cair entre 30% e 40% em 2025 em comparação com 2023, segundo estimativas da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).

A diretora executiva do Unaids, Winnie Byanyima, afirma que os cortes provocaram um efeito dominó devastador em sistemas de saúde já fragilizados.

“Clínicas fecharam sem aviso prévio, profissionais de saúde perderam salários e empregos, e milhares de pacientes ficaram sem tratamento essencial”, declarou Byanyima.

Nos países mais afetados, o colapso do financiamento resultou em interrupções imediatas de serviços, agravando desigualdades e ampliando riscos de novas infecções.

Fechamento de clínicas, demissões e suspensão de serviços

O impacto é visível em diversos continentes:

  • Moçambique, Quênia e Vietnã: organizações comunitárias lideradas por homens gays e outros homens que fazem sexo com homens perderam de um terço até quase toda sua equipe clínica.

  • Angola e Eswatini: serviços de extensão comunitária foram reduzidos ou totalmente cortados.

  • Entidades lideradas por mulheres: mais de 60% perderam financiamento ou foram obrigadas a suspender programas essenciais.

O resultado, segundo o Unaids, é que comunidades inteiras ficaram sem acesso a serviços básicos de prevenção, testagem e tratamento.

Brasil e o pacto global por tecnologias de saúde

O relatório destaca ainda o papel do Brasil nas reuniões do G20 em 2024, quando, sob a presidência brasileira, ministros da Saúde firmaram uma aliança global pelo acesso equitativo a tecnologias de saúde.

Essa iniciativa impulsionou a construção de capacidades locais e regionais para desenvolver e produzir vacinas, diagnósticos e medicamentos inovadores, especialmente em países de baixa renda.

Quanto custa manter a resposta global contra o HIV?

Para atingir as metas globais até 2030, o Unaids estima que serão necessários US$ 21,9 bilhões por ano em países de baixa e média rendas. Esse valor representa uma queda significativa em relação aos US$ 29,3 bilhões necessários em 2021, refletindo avanços como:

  • Queda no preço de medicamentos antirretrovirais

  • Regimes de tratamento mais simples e eficazes

  • Novos modelos de prestação de serviços

  • Melhores abordagens baseadas no risco

  • Elevação de alguns países ao status de renda mais alta

Mesmo com esses progressos, o relatório enfatiza que sem financiamento consistente, nenhum avanço será sustentável.

Uma década de conquistas ameaçada

Com cortes abruptos, fechamento de clínicas e demissões em massa, o Unaids alerta que o mundo está diante de uma ruptura sem precedentes na resposta à Aids. Caso a tendência de queda nos financiamentos se mantenha, países mais vulneráveis podem enfrentar um aumento nas infecções, maior mortalidade e retrocessos históricos.

A agência reforça que o enfrentamento ao HIV depende de solidariedade internacional, investimentos contínuos e fortalecimento das redes locais de atendimento, sem os quais as metas globais para 2030 ficarão fora de alcance.

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