Desvio de R$ 340 milhões explode escândalo na saúde pública

Esquema envolvia três estados e revelou fraudes milionárias em contratos hospitalares

Por Ana Raquel |GNEWSUSA 

A Polícia Federal desencadeou nesta terça-feira (25) uma operação de grande porte para desarticular um esquema de desvio de recursos destinados à saúde em dois municípios brasileiros. A ação, batizada de Paralelo Cinco, apura o uso irregular de mais de R$ 340 milhões repassados aos hospitais públicos de Jaguari (RS) e Embu das Artes (SP).

Segundo a investigação, aberta no início de 2024, um grupo empresarial sediado em Porto Alegre assumiu a administração das unidades e, a partir daí, criou uma rede de empresas interligadas que teria operado fraudes contábeis e movimentações financeiras incompatíveis com a execução dos serviços de saúde.

Mandados e bloqueios milionários

Durante a ofensiva policial, foram cumpridos 24 mandados de busca e apreensão, além de duas prisões preventivas decretadas judicialmente. Também houve:

• Bloqueio de mais de R$ 22,5 milhões,

• Apreensão de 53 veículos,

• Retenção de 14 imóveis,

• E a tomada de uma embarcação.

As medidas atingiram investigados nos estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e São Paulo.

Como funcionava o suposto esquema

Segundo a PF, a organização usava empresas de fachada, contratos simulados e notas fiscais sem lastro real para retirar o dinheiro que deveria financiar serviços essenciais dos hospitais. Após a transferência inicial, os valores eram redistribuídos rapidamente para dezenas de contas de pessoas físicas e jurídicas sem vínculo com a administração das unidades.

A corporação informou em nota:

“Os valores repassados eram rapidamente pulverizados para dezenas de contas de pessoas físicas e jurídicas sem qualquer vínculo com os serviços contratados, beneficiando os gestores da organização social e alimentando um sofisticado esquema de ocultação e dissimulação financeira.”

A Polícia Federal destacou ainda que parte dos recursos públicos teria sido usada para custear despesas particulares, incluindo:

• Salários elevados sem comprovação de trabalho,

• Viagens,

• Aluguel de imóveis de alto padrão,

• Contratos fictícios,

• E aquisição de bens privados.

Intervenção na gestão hospitalar

O Juízo das Garantias da 2ª Vara Federal de Santana do Livramento determinou o afastamento de investigados de suas funções, além da suspensão de atividades econômicas de pessoas e empresas envolvidas. A Justiça ordenou ainda a nomeação de interventores para administrar temporariamente os dois hospitais, com o objetivo de impedir novos prejuízos e garantir a continuidade dos serviços à população.

Possíveis crimes

Os investigados poderão responder pelos crimes de:

• Organização criminosa,

• Peculato,

• Lavagem de capitais,

• E outros delitos relacionados ao uso indevido de verbas públicas.

Contexto político

O caso amplia o debate sobre a fragilidade da fiscalização das verbas federais destinadas à saúde — um problema que afeta diretamente a gestão do governo e pressiona o Planalto diante da escalada de denúncias envolvendo contratos públicos.

Para a oposição, o episódio reforça a necessidade de maior transparência e controle sobre recursos bilionários que passam por organizações sociais e entidades terceirizadas em diversos estados.

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