Falhas em ingredientes, rotulagem, controle de qualidade e ausência de estudos de estabilidade colocam consumidores em risco. Especialistas alertam para danos hepáticos e cardiovasculares
Por Paloma de Sá | GNEWSUSA
Um levantamento recente da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) revelou que cerca de dois terços dos suplementos alimentares avaliados até 2025 apresentavam algum tipo de irregularidade. As falhas envolvem desde uso de substâncias proibidas até doses excessivas de ingredientes ativos, além de problemas de rotulagem e ausência de estudos que garantam a estabilidade do produto ao longo do tempo.
Segundo técnicos da agência, o mercado de suplementos cresce rapidamente no país, impulsionado pela busca por ganho de massa muscular, emagrecimento, aumento de energia e melhora do desempenho esportivo. Porém, a falta de controle efetivo por parte de muitos fabricantes cria uma “zona cinzenta” entre alimento e medicamento — o que aumenta o risco de efeitos adversos.
Irregularidades mais frequentes
As inspeções realizadas pela Anvisa identificaram:
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Ingredientes não permitidos para a categoria de suplemento alimentar.
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Doses acima dos limites considerados seguros.
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Produtos sem notificação sanitária obrigatória.
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Rotulagem enganosa com alegações terapêuticas, proibidas nesse tipo de produto.
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Falta de estudos de estabilidade, essenciais para garantir que o suplemento mantenha suas características ao longo do prazo de validade.
Em casos mais graves, foram encontrados produtos adulterados, com substâncias não declaradas no rótulo — incluindo compostos com efeitos farmacológicos.
Riscos para a saúde
Especialistas em toxicologia e nutrição alertam que o consumo indiscriminado desses suplementos pode causar danos significativos. Entre os principais riscos estão:
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Lesões hepáticas, provocadas pelo excesso de vitaminas lipossolúveis, estimulantes ou ingredientes adulterados.
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Arritmias, aumento da pressão arterial e outros problemas cardiovasculares, especialmente em produtos com substâncias estimulantes ou doses muito elevadas.
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Comprometimento renal, quando há uso prolongado de substâncias que sobrecarregam a filtragem do organismo.
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Interações medicamentosas não previstas, já que muitos consumidores utilizam suplementos sem orientação profissional.
Os efeitos podem ser ainda mais severos quando o produto é comprado pela internet ou em pontos de venda sem fiscalização adequada.
Fiscalização reforçada e prorrogação de prazos
A Anvisa intensificou operações de fiscalização e determinou o recolhimento de diversos suplementos irregulares. Apesar disso, o volume de produtos no mercado que ainda não se adequaram às normas motivou a prorrogação dos prazos para regularização até 2026, o que prolonga o período de transição.
Mesmo com a extensão, a agência destacou que fabricantes continuam obrigados a cumprir regras de qualidade, rotulagem e segurança, sob pena de multas, recolhimento e proibição de venda.
Recomendações para os consumidores
Especialistas reforçam que suplementos não devem ser usados sem orientação médica ou nutricional. Antes de comprar, é importante:
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Verificar se o produto possui registro ou notificação da Anvisa.
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Conferir informações como CNPJ do fabricante, lista de ingredientes e data de validade.
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Desconfiar de produtos que prometem resultados rápidos, como emagrecimento imediato ou ganho de massa muscular acelerado.
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Evitar compras em sites sem procedência clara.
O cenário atual revela um mercado em expansão, mas ainda marcado por irregularidades que colocam a saúde do consumidor em risco. A combinação entre falta de fiscalização adequada, promessa de resultados milagrosos e consumo sem acompanhamento profissional cria um ambiente propício para lesões graves, especialmente no fígado e no sistema cardiovascular. Enquanto o setor não se adequa totalmente às normas, especialistas recomendam cautela máxima.
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