Após críticas intensas, instituição reverte mudança que havia rebaixado emblemas de ódio a itens “potencialmente divisivos”, reafirmando veto total e punições severas
Por Tatiane Martinelli | GNEWSUSA
A Guarda Costeira dos Estados Unidos publicou um novo memorando restabelecendo suásticas, forcas e outros emblemas extremistas na categoria de “símbolos de ódio”, após forte repercussão negativa à versão anterior de sua política interna. A diretriz divulgada recentemente havia reduzido a gravidade desses ícones ao classificá-los apenas como itens “potencialmente divisivos”, desconsiderando o peso histórico associado a alguns dos símbolos mais marcantes do racismo, supremacismo e antissemitismo.
Com a reação pública e política, a corporação recuou e voltou a proibir de forma explícita a exibição, distribuição ou uso de qualquer símbolo extremista por membros da instituição. A reversão ocorreu poucas horas depois de revelar a suavização da linguagem usada na norma, que até então tratava tais emblemas como “incidentes de ódio potenciais”. A nova versão é direta: “Símbolos e bandeiras divisivos ou de ódio são proibidos”, incluindo suásticas, forcas e outros ícones supremacistas.
Em meio ao debate, o Departamento de Segurança Interna negou ter buscado alterar a política, enquanto a porta-voz Tricia McLaughlin afirmou que a atualização apenas reforça regras já consolidadas.
Os símbolos em questão carregam significados profundos. A imagem da forca remete ao terror racial que marcou milhares de linchamentos de pessoas negras nos Estados Unidos, especialmente entre o pós-Guerra Civil e o movimento pelos Direitos Civis. Já a suástica simboliza o regime nazista responsável pelo Holocausto e pela morte de milhões, entre eles mais de 400 mil militares americanos — cerca de 1.900 da própria Guarda Costeira. Para especialistas, minimizar a classificação desses emblemas seria ignorar décadas de violência e ódio institucionalizado.
Repercussão política
Parlamentares também reagiram. A deputada democrata Lauren Underwood declarou ter se reunido com o comandante interino da Guarda Costeira, almirante Kevin Lunday, que garantiu a revisão imediata da norma e a manutenção do veto explícito. Em pronunciamento, Lunday reiterou que suásticas e demais símbolos extremistas continuam totalmente proibidos e que infrações serão “severamente punidas”.
A polêmica reacende o debate sobre extremismo nas Forças Armadas dos EUA, tema que ganhou destaque após um relatório do Pentágono, em 2020, alertar para riscos envolvendo militares treinados que aderem a ideologias extremistas. Apesar de o secretário de Defesa, Pete Hegseth, minimizar a ameaça, especialistas afirmam que medidas firmes são essenciais para proteger a segurança interna e os valores democráticos do país.
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