Hugo Motta rompe com líder do PT e escancara a crise na base do governo Lula

Instabilidade avança e deixa o governo Lula sem controle do próprio Congresso

Por Ana Raquel |GNEWSUSA 

A relação entre o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), e o líder do PT na Casa, Lindbergh Farias (RJ), chegou ao limite nesta segunda-feira (24). Em declarações públicas, Motta afirmou que considera encerrado qualquer tipo de relação institucional com o petista, abrindo uma crise inédita entre o comando da Câmara e a base do governo Lula.

Em tom direto, Hugo Motta declarou:

“Não tenho mais interesse em ter nenhum tipo de relação com o deputado Lindbergh Farias.”

A afirmação expôs abertamente o desgaste que vinha se acumulando nas últimas semanas, marcado por divergências em pautas sensíveis como o PL Antifacção, a condução da PEC da Blindagem, as mudanças no texto do IOF, além de críticas internas à forma como o governo tenta influenciar as votações.

Tensões que levaram ao rompimento

O estopim para a ruptura teria sido a escolha do deputado Guilherme Derrite (PP-SP) como relator do PL Antifacção — decisão tomada por Motta sem consultar o governo ou a liderança petista. A escolha desagradou profundamente a base governista e gerou atritos diretos com Lindbergh Farias.

Segundo aliados, Motta avalia que Lindbergh tem adotado uma posição de confronto em temas que exigem articulação, não diálogo. Já dentro do PT, a leitura é oposta: o partido considera que Motta tem tomado decisões “solitárias”, sem debate e sem aviso prévio.

Lindbergh reage: “imaturidade”

Pouco depois do anúncio, Lindbergh Farias reagiu com dureza. Em entrevista, classificou a postura de Motta como incompatível com o cargo que ocupa.

“Política não se faz como clube de amigos. Considero imaturas as decisões do presidente da Câmara.”

O petista afirmou ainda que Hugo Motta vem adotando “posturas reservadas e erráticas” em votações cruciais, mencionando a tramitação de projetos do Executivo e mudanças realizadas repentinamente na agenda da Casa.

Impacto na relação com o governo

A crise ocorre em um momento de tensão crescente entre o Congresso e o governo Lula. A pauta legislativa está carregada de temas delicados, como:

• Pressões pela anistia aos condenados dos atos de 08 de janeiro,

• Propostas de endurecimento penal contra facções,

• Disputas sobre o IOF e outras matérias econômicas.

O rompimento institucional declarado por Hugo Motta fragiliza ainda mais a articulação do governo, que já enfrentava dificuldades em consolidar maioria estável na Câmara.

Efeito dominó no Senado

No Senado, cresce a percepção de que a instabilidade na Câmara pode atingir outras frentes. O presidente da Casa, Davi Alcolumbre, também enfrenta atritos com interlocutores do governo, aumentando a sensação de falta de coordenação entre Executivo e Legislativo.

Cenário aberto

A ruptura entre Motta e Lindbergh não é apenas um desentendimento pessoal — ela redefine o tabuleiro político em Brasília.

Com o Congresso dividido, o governo tenta reorganizar suas estratégias, enquanto a oposição enxerga no episódio a prova de que o Planalto perdeu o controle sobre sua base.

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