Perseguição política: Alexandre de Moraes concentra poder e ataca a direita

Com cassações, prisões e inelegibilidades, o ministro mira Bolsonaro e aliados, ampliando a sensação de perseguição contra conservadores

Por Ana Raquel |GNEWSUSA 

A decisão do ministro Alexandre de Moraes de reunir em seu próprio gabinete toda a execução das penas dos processos ligados ao 8 de Janeiro reacendeu a preocupação de juristas e parlamentares conservadores. Para esse grupo, a medida representa uma hiperconcentração de poder, já que o relator passa a controlar, sozinho, progressões de regime, fiscalizações, bloqueios de bens e benefícios legais — tudo sem diálogo com instâncias inferiores.

Especialistas ligados ao campo conservador afirmam que essa centralização rompe o equilíbrio entre os Poderes e reforça o que chamam de “personalização da Justiça”, na qual um único ministro decide questões que atingem diretamente adversários do governo.

Prisão mantida, perda de direitos e impacto político

A manutenção da prisão preventiva do ex-presidente, baseada em suposto risco de fuga, também aumentou a tensão. Aliados afirmam que não existe qualquer prova concreta desse risco e classificam a justificativa como frágil e politicamente orientada.

Além da prisão, decisões recentes produziram consequências graves para a direita, como:

Cassação de mandatos conservadores, incluindo o de Alexandre Ramagem;

Transformação de parlamentares como Eduardo Bolsonaro em réus;

Inelegibilidade de Jair Bolsonaro até 2030 e posteriormente até 2038, o que retira da direita seu maior ativo eleitoral;

• E interpretações amplas que transformam vigílias pacíficas em suposta ameaça à ordem.

Para a base conservadora, esse conjunto de medidas simboliza uma escalada judicial que retira poder político da direita e desmonta suas principais lideranças.

O caso Heleno e a indignação militar

Entre as prisões, a que mais chocou foi a do general Augusto Heleno, que revelou sofrer de Alzheimer desde 2018. A detenção de um militar com histórico de décadas de serviço ao país gerou forte indignação entre oficiais e apoiadores, que veem o caso como um símbolo do endurecimento desproporcional aplicado contra conservadores.

Bolsonaro segue sendo a maior força política da direita

Mesmo preso e impedido de se manifestar publicamente, Bolsonaro continua sendo a principal liderança da direita. Pesquisas internas indicam que um apoio declarado dele ainda teria força suficiente para impulsionar qualquer candidato aliado rumo ao segundo turno de 2026.

Para analistas conservadores, essa relevância política explica o cerco judicial: quanto maior sua capacidade de influenciar, maior a vigilância e o esforço para restringir seu alcance.

Reação no Congresso: nasce o PL apelidado de “Fim da Lei dos Exageros”

A resposta da direita veio em forma de articulação política. Senadores conservadores protocolaram o PL 5977/2025, conhecido como “Fim da Lei dos Exageros”, que pretende limitar dispositivos usados pelo Judiciário para enquadrar opositores e revisar penas consideradas desproporcionais.

O projeto:

• Pode reduzir condenações de 27 para cerca de 6 anos;

• Pode tirar presos do regime fechado;

• Pode beneficiar réus do 8 de Janeiro;

• E busca revogar termos amplos como “golpe de Estado” e “abolição do Estado Democrático de Direito”, frequentemente usados para enquadrar manifestações políticas.

Com mais de 35 assinaturas favoráveis, o texto caminha em regime de urgência e é apresentado como forma de restabelecer limites institucionais e frear abusos.

Tensão entre os Poderes e clima político cada vez mais instável

A indicação de nomes ligados ao governo para o STF gerou resistência. Parlamentares avaliam contestar judicialmente decisões recentes e afirmam que o Supremo tem ultrapassado competências constitucionais ao interferir em pautas do Legislativo.

Nos bastidores, analistas descrevem o clima em Brasília como um dos mais tensos dos últimos anos, com Poderes atuando no limite e sem sinais de distensionamento.

Repercussão no governo e críticas da direita

Durante a repercussão das prisões, o presidente comentou o cenário político afirmando que estava “feliz” com o andamento das investigações — frase que causou revolta entre conservadores.

Para a direita, a fala foi vista como insensível, politizada e desrespeitosa diante de famílias e apoiadores que enfrentam um ambiente de perseguição judicial.

Conclusão: direita alerta e mobilizada

O cenário atual combina:

Concentração de poder no STF;

• Cassações e perda de direitos políticos de conservadores;

• Prisões controversas;

• Avanço judicial sobre funções políticas;

• Silenciamento de figuras importantes da oposição;

• Declarações provocadoras do governo;

• E tensões crescentes entre Executivo, Legislativo e Judiciário.

Para lideranças conservadoras, o país vive um momento decisivo. A direita se reorganiza, articula mudanças legislativas e mantém sua principal liderança — mesmo atrás das grades — como peça-chave para o futuro político do Brasil.

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