Ex-assessora de Lira é alvo da PF por suspeita de desvios de emendas

Investigação expõe falhas no controle do orçamento e tensiona relação entre Judiciário e Congresso

Por Ana Raquel |GNEWSUSA 

Uma operação da Polícia Federal deflagrada nesta sexta-feira (12) colocou os holofotes sobre a gestão de emendas parlamentares na Câmara dos Deputados. O alvo é Mariângela Fialek, ex-assessora do deputado federal Arthur Lira (PP-AL), suspeita de participar de desvios de recursos públicos por meio de emendas.

Foram cumpridos dois mandados de busca e apreensão dentro da Câmara, em Brasília, autorizados pelo Supremo Tribunal Federal (STF), dentro da chamada Operação Transparência. A investigação apura crimes como peculato, falsidade ideológica, uso de documento falso e corrupção.

Controle de emendas e alegações de irregularidades

Segundo a decisão judicial, Mariângela Fialek teria sido responsável pelo setor que organiza a indicação das emendas parlamentares, inclusive no chamado “orçamento secreto”, com suspeita de desvios e favorecimento de interesses privados. A PF iniciou a operação após depoimentos de deputados e servidores que apontaram irregularidades no controle e na distribuição dos recursos.

O STF e a Polícia Federal buscam esclarecer se houve uso indevido de verba pública e eventuais conexões com práticas criminosas dentro da Casa Legislativa. Apesar disso, o deputado Arthur Lira não é alvo da investigação.

Repercussão e tensão entre Judiciário e Legislativo

A atuação do STF e da PF sobre o pagamento das emendas reacendeu tensões institucionais. Para muitos parlamentares, o controle judicial sobre os recursos do Congresso representa uma interferência direta na autonomia do Legislativo, tradicionalmente responsável pela gestão do orçamento.

Líderes do Congresso alertam que essas operações podem gerar precedentes perigosos, afetando o equilíbrio entre os Poderes e questionando decisões que deveriam ser tomadas internamente pelo Parlamento.

Tentativa de limitar a atuação judicial

No ano passado, houve uma tentativa de aprovar uma PEC que exigiria autorização da Mesa Diretora da Câmara e do Senado para o cumprimento de mandados de busca e apreensão em gabinetes parlamentares, exceto em casos de flagrante delito. A proposta buscava garantir proteção ao mandato e à independência dos deputados, evitando abusos do Judiciário.

O deputado Rodrigo Valadares (União-SE) explicou que a medida não pretende dificultar investigações criminais, mas sim preservar a soberania do voto popular e o exercício do mandato parlamentar, pontos centrais para o funcionamento democrático.

Impacto político

A operação reacendeu o debate sobre a necessidade de transparência e fiscalização efetiva das emendas parlamentares, enquanto opositores e aliados de Arthur Lira divergem sobre o peso da atuação do Judiciário frente ao Congresso. O episódio evidencia a tensão entre controle institucional e autonomia legislativa, tema que deve ganhar mais destaque nos próximos meses.

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