Pesquisas indicam que o impacto do açúcar no cérebro depende da quantidade, do contexto alimentar e do perfil metabólico do indivíduo
Por Paloma de Sá | GNEWSUSA
O açúcar costuma ser apontado como um dos principais inimigos da saúde moderna, associado ao aumento de casos de obesidade, diabetes, doenças cardiovasculares e inflamações crônicas. No campo da saúde mental, o ingrediente também é frequentemente relacionado a quadros de ansiedade, depressão e alterações de humor. No entanto, estudos científicos mais recentes indicam que a relação entre açúcar e cérebro é mais complexa do que se imaginava.
Pesquisas publicadas em periódicos científicos da área de nutrição e envelhecimento sugerem que o consumo moderado de açúcar, dentro de uma alimentação equilibrada, não necessariamente prejudica a saúde mental e, em alguns casos específicos, pode até estar associado a efeitos neutros ou levemente positivos.
O papel do açúcar no funcionamento do cérebro
O cérebro utiliza a glicose como principal fonte de energia. Em níveis adequados, ela é essencial para funções como memória, concentração e regulação do humor. Dietas extremamente restritivas em carboidratos simples podem provocar sintomas como fadiga mental, irritabilidade e dificuldade de foco, especialmente em pessoas que não apresentam doenças metabólicas.
De acordo com especialistas em nutrição e neurociência, o problema não está no açúcar em si, mas no consumo excessivo e frequente, principalmente quando associado a alimentos ultraprocessados e pobres em nutrientes.
O que dizem os estudos científicos
Um estudo publicado no The Journal of Nutrition, Health and Aging analisou a relação entre ingestão de açúcar e indicadores de saúde mental em adultos. Os pesquisadores observaram que quantidades moderadas de açúcar não apresentaram associação direta com piora do bem-estar psicológico, especialmente entre indivíduos com sobrepeso que mantinham uma dieta globalmente equilibrada.
Por outro lado, o mesmo estudo identificou que o consumo elevado e contínuo esteve relacionado a maior incidência de sintomas depressivos e ansiedade, reforçando a ideia de que o exagero representa um fator de risco para o cérebro.
Outras pesquisas internacionais apontam que dietas ricas em açúcar podem favorecer processos inflamatórios, alterações na microbiota intestinal e oscilações bruscas de glicemia — fatores que influenciam diretamente a produção de neurotransmissores como serotonina e dopamina, fundamentais para o equilíbrio emocional.
Excesso está ligado a maior risco de depressão e ansiedade
Evidências acumuladas na literatura científica indicam que dietas com alto teor de açúcar estão associadas a:
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Maior risco de sintomas depressivos ao longo do tempo
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Aumento da ansiedade e da irritabilidade
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Piora da qualidade do sono
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Maior vulnerabilidade ao estresse
Esses efeitos tendem a ser mais intensos quando o açúcar substitui alimentos naturais e nutritivos, como frutas, vegetais, grãos integrais e proteínas de qualidade.
Moderação e contexto alimentar são determinantes
Nutricionistas reforçam que não há indicação científica para a exclusão total do açúcar da alimentação em pessoas saudáveis. A recomendação é que ele seja consumido com moderação, preferencialmente dentro de refeições equilibradas e não como base da dieta.
Em casos de comorbidades, como diabetes, síndrome metabólica ou transtornos alimentares, o controle deve ser mais rigoroso e sempre orientado por profissionais de saúde.
Equilíbrio é a chave para a saúde mental
A relação entre alimentação e saúde mental é multifatorial. Além do açúcar, fatores como qualidade geral da dieta, sono, atividade física, genética e contexto emocional exercem papel determinante no bem-estar psicológico.
Especialistas destacam que adotar uma alimentação variada, rica em alimentos naturais, aliada a hábitos saudáveis, é mais eficaz para proteger o cérebro do que focar exclusivamente na eliminação de um único ingrediente.
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