Lecanemabe é o primeiro anticorpo monoclonal autorizado no Brasil para atuar diretamente na patologia da doença e será administrado por infusão intravenosa
Por Paloma de Sá | GNEWSUSA
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou o uso do lecanemabe, medicamento inédito no Brasil para o tratamento da doença de Alzheimer em estágio inicial. O fármaco, pertencente à classe dos produtos biológicos, representa um avanço no manejo da doença ao atuar diretamente na patologia amiloide, característica do Alzheimer, e passa a estar autorizado para distribuição e uso no país.
Para quem o medicamento é indicado
De acordo com o registro concedido pela Anvisa, o lecanemabe é indicado para pacientes adultos com diagnóstico clínico de:
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Comprometimento cognitivo leve, ou
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Demência leve decorrente da doença de Alzheimer,
desde que estejam na fase inicial da doença, com patologia amiloide confirmada por exames específicos.
O uso do medicamento é restrito a pacientes que não sejam portadores ou que sejam heterozigotos do alelo ε4 da apolipoproteína E (ApoE ε4), marcador genético associado a maior risco de efeitos adversos relacionados à terapia.
Como o lecanemabe funciona
O lecanemabe é um anticorpo monoclonal, desenvolvido para se ligar às placas de beta-amiloide no cérebro — uma das principais alterações associadas ao Alzheimer. Ao atuar diretamente sobre essa proteína, o medicamento busca retardar a progressão da doença, especialmente quando iniciado nos estágios mais precoces.
Especialistas ressaltam que o tratamento não representa uma cura, mas pode contribuir para a desaceleração do declínio cognitivo, mantendo por mais tempo a autonomia funcional do paciente.
Forma de administração e frequência
Segundo a Anvisa, o medicamento deve ser administrado por infusão intravenosa, com duração aproximada de uma hora, uma vez a cada duas semanas. O tratamento exige acompanhamento médico contínuo, além de monitoramento clínico e por exames de imagem, conforme protocolos de segurança adotados para terapias biológicas.
Autorização e chegada ao mercado
Com a aprovação regulatória, o lecanemabe está oficialmente autorizado para uso no Brasil. No entanto, o prazo para sua entrada efetiva no mercado dependerá do laboratório detentor do registro, que ainda precisa definir questões logísticas, comerciais e de distribuição.
A expectativa é que o medicamento seja inicialmente disponibilizado em centros especializados e serviços de referência em neurologia.
Impacto para pacientes e famílias
A aprovação do lecanemabe é considerada um marco para pacientes com Alzheimer e seus familiares, especialmente por se tratar de uma opção terapêutica voltada às fases iniciais da doença, quando intervenções tendem a ter maior impacto clínico.
De acordo com dados epidemiológicos, o Alzheimer é a forma mais comum de demência no mundo e representa um desafio crescente para sistemas de saúde, em razão do envelhecimento populacional. A chegada de terapias inovadoras amplia as possibilidades de tratamento e reforça a importância do diagnóstico precoce.
Orientação médica é essencial
A Anvisa reforça que o uso do medicamento deve ocorrer exclusivamente sob prescrição médica, após avaliação criteriosa do perfil do paciente, confirmação diagnóstica e análise de riscos e benefícios. A decisão terapêutica deve ser individualizada e acompanhada por especialistas.
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