Anvisa proíbe venda de fórmulas infantis da Nestlé por risco de contaminação bacteriana

Produtos suspensos – Reprodução Foto: Giro 10
Suspensão preventiva atinge lotes específicos de produtos usados por bebês e crianças pequenas; agência alerta pais e profissionais de saúde sobre cuidados e substituições seguras
Por Paloma de Sá | GNEWSUSA

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) determinou a suspensão imediata da comercialização, distribuição e uso de lotes específicos de fórmulas infantis da Nestlé no Brasil após identificar risco de contaminação por uma toxina bacteriana associada a quadros graves de vômitos em bebês. A decisão, publicada por meio da Resolução nº 32/2026, foi adotada de forma preventiva para proteger a saúde de lactentes e crianças pequenas, grupo considerado altamente vulnerável a infecções alimentares.

Risco identificado envolve toxina produzida por bactéria

De acordo com a Anvisa, o risco está relacionado à possível presença de cereulide, uma toxina termoestável produzida pela bactéria Bacillus cereus. Essa substância pode se manter ativa mesmo após o preparo da fórmula com água quente, o que aumenta o potencial de risco à saúde infantil.

O alerta foi comunicado à agência pela própria Nestlé, que iniciou o recolhimento voluntário dos lotes antes mesmo da publicação da resolução. A medida foi considerada fundamental para acelerar a resposta sanitária e reduzir a exposição das crianças aos produtos potencialmente contaminados.

Quais fórmulas infantis foram suspensas

A decisão da Anvisa envolve lotes específicos, detalhados na resolução oficial, das seguintes marcas da Nestlé:

  • Nestogeno

  • Nan Supreme Pro

  • Nanlac Supreme Pro

  • Nanlac Comfor

  • Nan Sensitive

  • Alfamino

A agência reforça que nem todos os produtos dessas linhas estão proibidos, mas sim lotes determinados. Ainda assim, o alerta se estende a toda a cadeia de distribuição. Farmácias, supermercados, hospitais e clínicas devem conferir cuidadosamente os números de lote e datas de fabricação.

Famílias que possuem latas dessas fórmulas em casa devem verificar as informações impressas no fundo da embalagem e seguir as orientações oficiais.

Por que a contaminação preocupa autoridades de saúde

A contaminação de fórmulas infantis é considerada um evento de alto risco. Bebês ainda estão em desenvolvimento imunológico e podem evoluir rapidamente para quadros graves após a ingestão de alimentos contaminados.

No caso do Bacillus cereus, os sintomas mais comuns incluem:

  • Vômitos intensos e persistentes

  • Diarreia

  • Febre

  • Irritabilidade acentuada

  • Recusa alimentar

  • Letargia (sonolência excessiva e diminuição da resposta a estímulos)

Em lactentes, esses sinais podem levar rapidamente à desidratação e a desequilíbrios hidroeletrolíticos, exigindo atendimento médico imediato e, em casos mais graves, internação hospitalar.

Orientações para pais, responsáveis e profissionais de saúde

A Anvisa orienta que responsáveis por crianças que utilizam essas fórmulas:

  1. Verifiquem marca, lote e validade do produto.

  2. Suspendam imediatamente o uso, caso o lote esteja incluído na resolução.

  3. Entrem em contato com o serviço de atendimento ao consumidor da empresa ou com a Anvisa para esclarecimentos.

  4. Procurem um pediatra ou nutricionista antes de substituir a fórmula.

A troca deve ser feita com acompanhamento profissional, especialmente em crianças com alergias alimentares, intolerâncias ou necessidades nutricionais específicas. Mudanças inadequadas podem causar prejuízos à saúde e ao desenvolvimento do bebê.

Impacto em hospitais e serviços de saúde

As fórmulas suspensas são amplamente utilizadas em hospitais, maternidades e consultórios pediátricos. Por isso, unidades de saúde devem isolar os produtos afetados, registrar os lotes e colaborar com o processo de recolhimento.

Segundo especialistas, esse tipo de ação preventiva é essencial para manter a confiança no sistema de vigilância sanitária e garantir que eventuais falhas sejam identificadas e corrigidas antes de causar danos maiores à população.

Como funciona a vigilância sanitária de fórmulas infantis

A Anvisa mantém um sistema contínuo de monitoramento da segurança de alimentos infantis. Esse processo envolve:

  • Análises microbiológicas regulares

  • Fiscalização das boas práticas de fabricação

  • Avaliação de notificações de eventos adversos

  • Cooperação direta com fabricantes

No caso em questão, a comunicação antecipada da Nestlé permitiu uma resposta mais rápida do sistema de vigilância.

A agência também reforça que a amamentação exclusiva até os seis meses segue sendo a principal recomendação de saúde pública. Quando a fórmula é necessária, a escolha deve sempre seguir orientação profissional, garantindo segurança nutricional mesmo em cenários de alerta sanitário.

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