Arena do Corinthians deixa de pagar fornecedores após liquidação de gestora ligada a caso Master

Foto: Reprodução.
Bloqueio do Arena FII após intervenção do Banco Central atinge repasses financeiros, mas clube afirma que operação do estádio segue normal e busca novo gestor
Por Schirley Passos|GNEWSUSA

A liquidação da Reag Trust, decretada pelo Banco Central em janeiro, afetou diretamente o funcionamento financeiro da Neo Química Arena, estádio do Corinthians, em Itaquera. Com o bloqueio das contas do Arena Fundo de Investimento Imobiliário (Arena FII), administrado pela gestora, repasses a fornecedores responsáveis pela operação do estádio deixaram de ser realizados há mais de duas semanas.

O impacto foi confirmado pelo diretor financeiro do Corinthians, Emerson Piovesan, que atribuiu a paralisação dos pagamentos à impossibilidade de movimentação das contas do fundo desde 14 de janeiro. Segundo ele, o problema é temporário e decorre exclusivamente da liquidação da Reag, investigada pela Polícia Federal por participação em um esquema de fundos inflados artificialmente ligado ao Banco Master.

Apesar da interrupção nos repasses, o clube afirma que a arena segue operando normalmente e que não há risco de suspensão de atividades ou de jogos do time profissional. De acordo com Piovesan, a operação cotidiana do estádio é garantida por contratos vigentes, e toda a organização das partidas, incluindo arrecadação de bilheteria e pagamento de despesas é feita diretamente pelo Corinthians.

O Arena FII foi criado para captar recursos junto a investidores e financiar a construção do estádio. Em contrapartida, o fundo detém os direitos econômicos da arena, como receitas de bilheteria, camarotes, cadeiras especiais, eventos, publicidade, estacionamento e naming rights. O clube atua como operador do espaço, arrecadando e repassando posteriormente os valores devidos ao fundo.

Com a saída da Reag, o fundo ficou sem gestor autorizado a assinar atos de administração, liberar transferências ou efetuar pagamentos, o que travou a remuneração de fornecedores e cotistas. No balanço mais recente, o Arena FII registra R$ 99,6 milhões em receitas operacionais a receber do Corinthians, reflexo do modelo de repasse não imediato entre clube e fundo.

Segundo a diretoria alvinegra, uma solução está em negociação e deve ser anunciada em breve, com a nomeação de um novo gestor para o Arena FII. A expectativa é que o acordo seja fechado com o Grupo Planner, que adquiriu a Companhia Brasileira de Serviços Financeiros (Ciabrasf), antiga empresa de administração de fundos da Reag.

O Corinthians afirma que, desde agosto de 2025, após o avanço das investigações sobre a gestora, iniciou tratativas para substituir a administração do fundo, em conjunto com a Caixa Econômica Federal. Até que o novo gestor seja formalizado, os efeitos da liquidação seguem concentrados nos fluxos financeiros do Arena FII, sem impacto direto na agenda esportiva do clube.

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