Britânicos acreditam em alta da imigração apesar de forte queda nos números oficiais

Pesquisa revela descompasso entre dados do governo e percepção popular, com ampla desconfiança sobre o controle das fronteiras

Por Chico Gomes | GNEWSUSA

Uma maioria expressiva dos eleitores do Reino Unido acredita que a imigração continua em alta, mesmo diante de uma redução significativa no fluxo de entrada de estrangeiros no país. É o que aponta uma pesquisa exclusiva realizada pela organização More in Common e divulgada. Segundo o levantamento, 67% dos entrevistados afirmam perceber um aumento da imigração, embora a migração líquida tenha recuado para patamares semelhantes aos registrados antes da pandemia.

O estudo também evidencia a baixa confiança da população na capacidade do governo de controlar as fronteiras. Para 74% dos participantes, a atuação governamental merece pouco ou nenhum crédito, enquanto apenas 18% dizem confiar nas medidas adotadas. Essa percepção negativa persiste mesmo diante de dados oficiais que indicam uma queda consistente nos números migratórios.

Entre os eleitores que apoiam o Partido Reformista, o sentimento é ainda mais acentuado: quatro em cada cinco acreditam que a imigração aumentou, e 63% avaliam que esse crescimento foi expressivo. O tema ganhou centralidade no debate público após a aprovação de propostas mais rígidas pela atual administração, liderada pela premiê trabalhista Shabana Mahmood, que prometeu mudanças profundas no sistema de asilo.

As medidas em discussão incluem prazos mais longos para concessão de direitos a refugiados, confisco de bens de solicitantes de asilo e restrições ao reagrupamento familiar. Ainda assim, as iniciativas não foram suficientes para reverter a desconfiança da população, evidenciando um distanciamento entre os dados oficiais e a percepção popular.

De acordo com estatísticas do governo, a migração líquida para o Reino Unido caiu mais de dois terços no ano encerrado em junho de 2025, totalizando 204 mil pessoas. No mesmo período, os pedidos de vistos para trabalhadores qualificados recuaram 36%, enquanto as solicitações nas áreas de saúde e assistência social despencaram 51%, conforme registros administrativos.

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