Circulação da gripe e do vírus sincicial respiratório cresce nas Américas e acende alerta

Organização Pan-Americana da Saúde reforça vigilância integrada da gripe, do VSR e da Covid-19 diante de início precoce da temporada respiratória no Hemisfério Norte
Por Paloma de Sá | GNEWSUSA

O aumento simultâneo da circulação da gripe sazonal e do vírus sincicial respiratório (VSR) nas Américas levou a Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) a emitir um novo alerta epidemiológico e a recomendar o reforço imediato da vigilância e da preparação dos sistemas de saúde. Segundo a entidade, o início precoce da temporada de vírus respiratórios no Hemisfério Norte pode pressionar hospitais e serviços de saúde nos próximos meses.

O alerta, divulgado nesta terça-feira (14), atualizou um aviso anterior publicado em 4 de dezembro de 2025, que já apontava a possibilidade de uma temporada respiratória mais intensa ou antecipada em relação aos padrões históricos. A Opas, braço regional da Organização Mundial da Saúde (OMS), destacou que a circulação simultânea de múltiplos vírus respiratórios representa um desafio adicional para a capacidade assistencial dos países.

De acordo com os dados mais recentes, a atividade global da gripe vem aumentando de forma constante desde outubro de 2025, com predominância do vírus influenza A (H3N2). Sinais precoces de atividade sazonal foram identificados em diversos países do Hemisfério Norte, ao mesmo tempo em que o VSR passou a apresentar uma tendência gradual de crescimento.

Nas Américas, a situação preocupa especialmente no Hemisfério Norte do continente. A taxa de positividade para gripe permanece acima de 10%, com aumentos sustentados na América do Norte e na América Central. No Caribe, os índices aproximam-se de 20%, também com predominância do vírus A (H3N2).

Embora, até o momento, a gravidade geral da temporada seja considerada semelhante à de anos anteriores, sem registro de excesso de mortalidade, alguns países relataram níveis de atividade superiores aos observados em temporadas recentes. Esse cenário reforça o risco de sobrecarga dos serviços de saúde, sobretudo durante o restante do inverno no Hemisfério Norte.

A Opas alertou que o início rápido e precoce da circulação da gripe já resultou em aumento expressivo de hospitalizações e atendimentos ambulatoriais em determinadas regiões. A entidade avalia que a coexistência da gripe com o VSR — vírus especialmente perigoso para bebês, idosos e pessoas com comorbidades — pode intensificar a pressão sobre hospitais e clínicas.

Vacinação como eixo central da resposta
Para o assessor regional da Opas em epidemiologia de doenças epidêmicas e pandêmicas, Marc Rondy, a circulação simultânea da gripe e do VSR exige respostas coordenadas e prioridade absoluta à vacinação. Segundo ele, as vacinas atualmente disponíveis contra a gripe demonstram eficácia na prevenção de formas graves da doença e na redução de hospitalizações.

A Opas recomendou que os países ampliem a cobertura vacinal, com foco nos grupos mais vulneráveis, como idosos, crianças pequenas, gestantes, profissionais de saúde e pessoas com doenças crônicas. A agência ressaltou que a vacinação continua sendo uma das ferramentas mais eficazes para mitigar os impactos da temporada respiratória.

Além disso, a organização orientou o reforço da vigilância integrada da gripe, do VSR, da Covid-19 e de outros vírus respiratórios, de forma a permitir resposta rápida a mudanças no padrão de circulação. Também foi recomendada a revisão e atualização dos planos de contingência dos serviços de saúde, incluindo capacidade hospitalar, estoques de insumos e organização das redes de atendimento.

Medidas simples seguem eficazes
A Opas também reforçou que medidas individuais de prevenção continuam sendo fundamentais para reduzir a transmissão dos vírus respiratórios. Entre as recomendações estão a higienização frequente das mãos, o uso de lenços ou do antebraço ao tossir ou espirrar, a utilização de máscara em ambientes fechados quando houver sintomas respiratórios e o isolamento domiciliar em casos de febre ou sinais de infecção.

Segundo a entidade, a combinação entre vacinação, vigilância epidemiológica ativa e medidas básicas de prevenção pode reduzir significativamente o impacto da circulação simultânea de vírus respiratórios e evitar o colapso dos sistemas de saúde durante os períodos de maior demanda.

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