Endividamento cresce 18% em um ano, impulsionado por juros e emissão de títulos, e acende alerta fiscal
Por Ana Raquel |GNEWSUSA
A Dívida Pública Federal (DPF) encerrou dezembro de 2025 no patamar de R$ 8,635 trilhões, segundo dados divulgados pelo Tesouro Nacional, órgão vinculado ao Ministério da Fazenda, comandado por Fernando Haddad, no governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
O valor representa uma alta nominal de 1,82% em relação a novembro, quando o estoque somava R$ 8,48 trilhões. No acumulado de 2025, a dívida registrou uma expansão de 18,03%, com aumento de aproximadamente R$ 1,32 trilhão em apenas um ano.
Emissão de títulos e juros explicam avanço da dívida
De acordo com o Tesouro Nacional, o crescimento da dívida em dezembro foi puxado principalmente por dois fatores:
• Emissão líquida de títulos públicos, no valor de R$ 59,9 bilhões
• Apropriação positiva de juros, que acrescentou R$ 94,8 bilhões ao estoque da dívida
Os números evidenciam o peso do custo financeiro sobre as contas públicas em um cenário de juros elevados e necessidade crescente de financiamento do governo federal.
Dívida interna concentra quase todo o endividamento
A maior parte da dívida segue concentrada no mercado doméstico. A chamada Dívida Pública Mobiliária Federal interna (DPMFi) alcançou R$ 8,31 trilhões, o equivalente a 96,22% do total.
Já a dívida externa (DPFe) somou R$ 326 bilhões, representando 3,78% do estoque total. Em dezembro, a dívida interna cresceu 1,76%, enquanto a externa teve alta de 3,53%, influenciada principalmente pela variação cambial.
Perfil dos títulos mostra maior dependência da Selic
Os dados do Tesouro indicam que o perfil da dívida federal permanece fortemente atrelado aos juros:
• 48,25% dos títulos estão indexados à taxa Selic
• 25,93% são corrigidos pela inflação (IPCA)
• 22,05% são prefixados
• 3,76% estão vinculados ao câmbio
Especialistas avaliam que a elevada participação de papéis pós-fixados expõe o Tesouro a maior sensibilidade aos juros, elevando o custo da dívida em cenários de política monetária restritiva.
Prazo médio da dívida recua
Outro dado que chama atenção é a redução do prazo médio da dívida pública, que passou de 4,08 anos para 4,00 anos em dezembro. Na dívida interna, o prazo médio caiu para 3,89 anos.
Apesar de o Tesouro afirmar que o perfil de vencimentos segue dentro dos parâmetros do Plano Anual de Financiamento (PAF), 17,46% da dívida vence em até 12 meses, o que exige rolagens frequentes e aumenta a pressão sobre o caixa do governo.
Alerta fiscal em meio à política econômica do governo Lula
O crescimento acelerado da dívida ocorre em um contexto de debates sobre responsabilidade fiscal, aumento de gastos e dificuldades para equilibrar receitas e despesas sob a gestão econômica do governo Lula.
Analistas apontam que, sem controle efetivo dos gastos públicos e reformas estruturais, o avanço do endividamento pode pressionar ainda mais os juros, afetar investimentos e comprometer a sustentabilidade fiscal no médio e longo prazo.
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