Escândalo do Banco Master expõe crise institucional e ameaça contaminar eleições de 2026

Fraude bilionária, suspeitas de blindagem no STF e resistência à CPMI ampliam desgaste político e colocam Judiciário e governo sob pressão

Por Ana Raquel |GNEWSUSA 

Brasília — O escândalo envolvendo o Banco Master consolidou-se como uma das mais graves crises financeiras e institucionais do Brasil no fim de 2025 e segue produzindo efeitos políticos com potencial de influenciar diretamente o processo eleitoral de 2026. O avanço das investigações, aliado à atuação controversa de órgãos de controle e do Judiciário, elevou o caso ao centro do debate nacional, sobretudo diante da possibilidade de instalação de uma Comissão Mista Parlamentar de Inquérito (CPMI).

No núcleo da investigação está Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, cujas relações com políticos, integrantes do Judiciário e agentes do Estado passaram a ser tratadas como uma possível rede de proteção institucional. Para fontes ouvidas pela imprensa, a extensão dessas conexões pode comprometer candidaturas e atingir figuras relevantes do cenário político, especialmente aquelas associadas a ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).

Fraude bilionária e risco ao dinheiro público

A Polícia Federal apura um esquema estimado em mais de R$ 12 bilhões, envolvendo a venda de títulos e carteiras de crédito consignado sem lastro ao Banco de Brasília (BRB). Segundo investigadores, ativos inexistentes ou com garantias insuficientes foram transferidos para uma instituição pública, criando um risco direto de prejuízo aos cofres do Distrito Federal e à população local.

A operação foi viabilizada por meio de intenso lobby político, recebeu aprovação interna do BRB e também aval do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). Apesar disso, em 18 de novembro, o Banco Central vetou a transação, apontou grave crise de liquidez e risco sistêmico e decretou a liquidação extrajudicial do Banco Master — decisão que contrariou interesses políticos e financeiros poderosos.

No mesmo dia, a Polícia Federal deflagrou a Operação Compliance Zero, prendeu Vorcaro e outros executivos do banco e apreendeu documentos considerados centrais para a apuração das fraudes.

Judicialização e concentração do caso no STF

A prisão do empresário, no entanto, durou apenas 11 dias. A defesa conseguiu deslocar o processo para o Supremo Tribunal Federal, com o ministro Dias Toffoli assumindo a relatoria. A partir daí, o caso foi centralizado no STF, a Justiça Federal de Brasília ficou impedida de conduzir atos independentes e o processo acabou colocado sob sigilo.

A condução do caso gerou críticas severas. Antes da imposição do sigilo, Toffoli viajou a Lima, no Peru, em aeronave de um empresário, acompanhado do advogado de um dos investigados, episódio que levantou questionamentos sobre conflito de interesses e prudência institucional.

Contratos milionários e suspeitas de interferência

Pouco depois, documentos apreendidos pela Polícia Federal revelaram que o escritório de advocacia da esposa do ministro Alexandre de Moraes mantinha contrato com o Banco Master, prevendo pagamentos de R$ 129 milhões ao longo de três anos. O caso passou a ser citado por grandes bancas jurídicas como exemplo de incompatibilidade ética, ainda que não haja decisão judicial definitiva sobre o mérito.

O desgaste institucional aumentou após reportagem revelar que Moraes teria feito seis ligações no mesmo dia ao presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, para tratar do andamento da negociação envolvendo o Master e o BRB. A conduta gerou fortes críticas no Congresso e acusações de tráfico de influência, negadas pelo ministro.

TCU também entra no centro da controvérsia

Além do STF, o Tribunal de Contas da União (TCU) passou a ser alvo de questionamentos. O Tribunal decretou sigilo sobre apurações relacionadas ao caso e adotou decisões interpretadas como tentativas de pressionar o Banco Central para reavaliar a liquidação do banco.

Em 6 de janeiro, o ministro Jhonatan de Jesus, relator do processo no TCU, determinou uma apuração urgente no BC — medida vista como favorável à estratégia da defesa de Vorcaro. A repercussão negativa foi tamanha que o ministro acabou suspendendo a inspeção.

A atuação reacendeu críticas sobre o caráter político das indicações ao TCU. Jhonatan de Jesus foi nomeado em 2023 pelo presidente Lula, é ex-deputado federal, oriundo do Republicanos e filho do senador Mecias de Jesus (Republicanos-RR).

A “caixa-preta” que assusta Brasília

Nos bastidores, cresce a avaliação de que o caso Banco Master funciona como uma caixa-preta capaz de expor uma ampla rede de relações entre o sistema financeiro, o Judiciário e a classe política. A hipótese de uma eventual delação de Vorcaro é tratada como um risco elevado para diversos projetos eleitorais.

“O caso Banco Master revela como a proximidade entre agentes econômicos e o poder político pode gerar mecanismos informais de proteção e dificultar a responsabilização, especialmente quando há concentração de decisões em instâncias superiores”, afirma Leandro Gabiatti, doutor em ciência política.

CPMI pode romper blindagem

A eventual instalação de uma CPMI do Banco Master é vista como decisiva. O pedido já reúne 243 assinaturas, mas praticamente nenhuma de parlamentares alinhados ao governo Lula, o que reforça a percepção de resistência à ampliação das investigações.

Impactos eleitorais: oportunidade para a direita

Analistas apontam que candidaturas de direita, especialmente ao Senado Federal, podem se beneficiar ao explorar discursos de moralidade pública, combate à corrupção, respeito à ordem jurídica e contenção dos excessos do STF.

Quem pode sair perdendo

Do outro lado, o governo federal pode enfrentar desgaste relevante. A percepção de alinhamento excessivo entre Executivo e Judiciário tende a aprofundar críticas sobre a perda de freios institucionais e pode atingir diretamente a estratégia de reeleição do presidente Lula, sobretudo se o caso Banco Master continuar associado à instabilidade institucional e à insegurança econômica.

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