Estudo indica que consumo intensivo de aveia pode reduzir colesterol em apenas dois dias

Pesquisa com pessoas que têm síndrome metabólica aponta queda significativa do LDL e efeitos positivos sobre a microbiota intestinal
Por Paloma de Sá | GNEWSUSA

Um curto período de alimentação à base de aveia pode gerar impactos relevantes na saúde metabólica. É o que sugere um estudo conduzido por pesquisadores da Universidade de Bonn, na Alemanha, que observou redução expressiva do colesterol LDL — conhecido como colesterol “ruim” — após apenas dois dias de consumo intensivo do cereal em pessoas com síndrome metabólica.

A pesquisa acompanhou 68 adultos diagnosticados com síndrome metabólica, condição caracterizada pela combinação de sobrepeso, pressão alta e alterações nos níveis de glicose e lipídios no sangue. Os resultados foram publicados em janeiro na revista científica Nature Communications e indicam que intervenções alimentares de curto prazo podem produzir efeitos mensuráveis no metabolismo e na saúde intestinal.

Durante o experimento, parte dos participantes seguiu uma dieta composta exclusivamente por mingau de aveia preparado com água, consumido três vezes ao dia ao longo de dois dias consecutivos. Pequenas porções de frutas ou vegetais eram permitidas. Ao todo, 32 voluntários concluíram essa fase da pesquisa, ingerindo cerca de 300 gramas de aveia por dia, o que representou aproximadamente metade da ingestão calórica habitual.

Outro grupo, usado como controle, adotou uma dieta com restrição calórica semelhante, porém sem a inclusão da aveia.

Redução do colesterol e perda de peso

Embora ambos os grupos tenham apresentado melhora em alguns indicadores de saúde, os efeitos foram mais consistentes entre aqueles que consumiram aveia. De acordo com os pesquisadores, os níveis de colesterol LDL caíram, em média, 10% nesse grupo — um resultado considerado relevante do ponto de vista clínico, ainda que inferior ao efeito observado com medicamentos específicos.

Além disso, os participantes que seguiram a dieta à base do cereal perderam cerca de dois quilos, em média, e registraram leve redução da pressão arterial. Os efeitos benéficos persistiram por pelo menos seis semanas após o término da intervenção alimentar.

Impacto sobre a microbiota intestinal

Outro achado relevante do estudo foi a alteração na composição da microbiota intestinal. Amostras de sangue e fezes coletadas ao longo do acompanhamento mostraram aumento de compostos fenólicos produzidos por bactérias intestinais durante a digestão da aveia.

Entre essas substâncias está o ácido ferúlico e seus derivados, que já haviam sido associados, em estudos anteriores, a efeitos positivos no metabolismo do colesterol. A identificação desses compostos reforça a hipótese de que os benefícios observados não se limitam à redução calórica, mas envolvem também a interação entre o alimento e o microbioma intestinal.

Dois dias podem ser mais eficazes que semanas

Os pesquisadores também compararam os resultados com uma estratégia alimentar mais prolongada, na qual os participantes consumiram quantidades menores de aveia diariamente ao longo de seis semanas, sem outras restrições. Nesse cenário, os efeitos sobre o colesterol foram mais discretos, sugerindo que um consumo intensivo e concentrado pode ser mais eficaz do que a ingestão moderada e contínua.

Para chegar a essas conclusões, a equipe realizou avaliações físicas e laboratoriais antes da mudança alimentar, logo após os dois dias de dieta com aveia e novamente após duas, quatro e seis semanas. As análises incluíram peso corporal, circunferência da cintura, percentual de gordura, colesterol LDL e marcadores associados à atividade bacteriana no intestino.

Próximos passos da pesquisa

Segundo os autores, os resultados abrem caminho para novos estudos que avaliem se ciclos periódicos de dietas intensivas à base de aveia podem ter efeito preventivo duradouro sobre doenças metabólicas. A proposta é investigar se a repetição dessa estratégia alimentar, em intervalos regulares, poderia contribuir para o controle de fatores de risco cardiovascular em populações vulneráveis.

Especialistas ressaltam, no entanto, que mudanças alimentares devem ser orientadas por profissionais de saúde, especialmente em pessoas com doenças crônicas ou em uso de medicação contínua.

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