Etapa prevê desarmamento do Hamas, criação de comitê palestino de tecnocratas e reconstrução do território sob supervisão internacional
Por Tatiane Martinelli | GNEWSUSA
Após meses de impasses e acusações mútuas, os Estados Unidos anunciaram nesta quarta-feira (14) o início da segunda fase do plano apresentado pelo presidente Donald Trump para encerrar a guerra na Faixa de Gaza. A nova etapa vai além do cessar-fogo e tem como eixos centrais a desmilitarização do território, a instalação de uma administração palestina tecnocrata e a reconstrução da região.
O anúncio foi feito por Steve Witkoff, enviado especial de Trump ao Oriente Médio. Em comunicado, ele afirmou que o plano de 20 pontos divulgado em outubro entra agora em uma fase decisiva. “Estamos lançando a fase dois do plano do presidente para pôr fim ao conflito em Gaza, avançando do cessar-fogo para a desmilitarização, a governança tecnocrata e a reconstrução”, declarou.
Segundo Witkoff, essa etapa começa com a completa desmilitarização da Faixa de Gaza, incluindo o desarmamento de todo o pessoal não autorizado. Ele destacou ainda que Washington espera o cumprimento integral das obrigações por parte do Hamas, entre elas a devolução imediata do último refém morto, e alertou que o descumprimento acarretará “graves consequências”.
Poucas horas antes do anúncio americano, o governo do Egito informou que houve consenso em torno dos nomes que devem compor um comitê palestino de tecnocratas responsável pela administração de Gaza no pós-guerra. O órgão será formado por 15 membros e integra a proposta americana de reorganização da governança do território.
A iniciativa recebeu apoio amplo entre os palestinos. Em comunicado conjunto, Hamas, Jihad Islâmico e outros movimentos afirmaram concordar com os esforços dos mediadores para a formação do Comitê Nacional de Transição Palestino, considerado essencial para criar um ambiente favorável ao início dos trabalhos. A presidência palestina, sediada em Ramallah, também manifestou apoio oficial.
Um representante do gabinete do governo palestino disse à AFP que a posição expressa reflete o entendimento do movimento Fatah, liderado pelo presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas.
De acordo com o ministro das Relações Exteriores do Egito, Badr Abdellatty, a expectativa é que, após a conclusão do acordo, o comitê seja anunciado formalmente em breve e passe a administrar os serviços essenciais e a vida cotidiana da população de Gaza.
O plano de Trump prevê que o comitê de transição atue sob a supervisão de um Conselho de Paz liderado pelo próprio presidente americano. Nesta quarta-feira, uma delegação do Hamas reuniu-se no Cairo com mediadores egípcios para discutir a formação do órgão e seus mecanismos de funcionamento. Representantes do grupo, sob condição de anonimato, afirmaram que negociações paralelas devem ocorrer com outras facções palestinas.
Além da composição do comitê e da escolha de seu presidente, as conversas também abordam o acordo de cessar-fogo, diante do que o Hamas classifica como violações israelenses em Gaza. Segundo fontes envolvidas nas negociações, uma vez fechado o entendimento, caberá a Mahmoud Abbas emitir um decreto formalizando a criação do comitê.
Entre os nomes cotados para liderar o novo órgão estão Ali Shaath, ex-vice-ministro do Planejamento da Autoridade Palestina, e Maged Abu Ramadan, atual ministro da Saúde e ex-prefeito da Cidade de Gaza.
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