Diálogo diplomático avança em clima reservado, enquanto Washington reforça interesse estratégico na ilha ártica
Por Tatiane Martinelli | GNEWSUSA
O primeiro encontro de alto nível entre delegações dos Estados Unidos e da Dinamarca para tratar da situação da Groenlândia terminou sem anúncio de acordo imediato. A reunião ocorreu em Washington e teve como foco a relevância estratégica da ilha, território autônomo vinculado ao Reino da Dinamarca.
Os chanceleres dinamarquês, Lars Løkke Rasmussen, e groenlandesa, Vivian Motzfeldt, reafirmaram a posição de que a Groenlândia não está à venda e destacaram a importância do respeito à soberania do território. Segundo Rasmussen, a conversa foi direta e clara, embora não tenha resultado em mudanças concretas na posição americana.
O encontro, solicitado pelas autoridades europeias, teve como anfitriões o vice-presidente dos EUA, J. D. Vance, e o secretário de Estado, Marco Rubio, e ocorreu a portas fechadas no Edifício de Escritórios Executivos Eisenhower, anexo à Casa Branca. A reunião durou cerca de 50 minutos.
Mais cedo, o presidente Donald Trump voltou a destacar o interesse dos Estados Unidos na Groenlândia, enfatizando sua importância estratégica. Localizada próxima a rotas marítimas cada vez mais relevantes no Ártico, a ilha ocupa posição sensível do ponto de vista militar e abriga recursos minerais considerados essenciais para o futuro da indústria tecnológica e da defesa.
Em publicação na rede Truth Social, Trump afirmou que a Groenlândia é fundamental para os planos de segurança dos EUA, incluindo projetos de defesa antimísseis. Os Estados Unidos já mantêm uma base militar na ilha, voltada ao monitoramento e rastreamento de ameaças.
O presidente também mencionou a Otan, destacando que a segurança da Groenlândia deve ser tratada com seriedade pelos aliados e reiterando que o fortalecimento da presença americana contribuiria para a estabilidade da região.
Apesar das divergências, os representantes europeus afirmaram que um grupo de trabalho continuará discutindo formas de cooperação voltadas à segurança do território. Rasmussen classificou o diálogo como “franco e construtivo”, reconhecendo que há visões distintas entre as partes.
Paralelamente, líderes do Parlamento Europeu divulgaram uma declaração pedindo maior envolvimento da União Europeia na proteção da Groenlândia. Alguns países da região, como Alemanha, Suécia e Noruega, sinalizaram disposição para ampliar sua presença ou cooperação militar no Ártico.
Aquisição ampliaria significativamente o território dos Estados Unidos
Além da relevância geográfica e das reservas minerais, a Groenlândia representa um ganho territorial expressivo. Com 2.166.086 km², a ilha é o maior território não continental do mundo.
Atualmente, os Estados Unidos ocupam a quarta posição entre os maiores países do planeta em extensão territorial. Caso incorporassem a Groenlândia, ultrapassariam China e Canadá, tornando-se o segundo maior país do mundo, atrás apenas da Rússia.
Maiores países do mundo (extensão territorial em km²):
- Rússia: 17.098.242
- Canadá: 9.984.670
- China: 9.706.961
- Estados Unidos: 9.372.610
- Brasil: 8.515.767
- Groenlândia: 2.166.086
A discussão em torno da Groenlândia evidencia o crescente peso estratégico do Ártico no cenário internacional e reforça a centralidade do tema da segurança global nas relações entre Estados Unidos e Europa.
LEIA TAMBÉM:
ICE prende imigrante ilegal que estava atuando como policial no subúrbio de Chicago
Cunhado de Daniel Vorcaro é detido pela PF ao tentar embarcar para Dubai
ICE prende imigrante ilegal que atuava como superintendente de escolas públicas em Iowa

Faça um comentário