Autoridades de saúde dizem que apenas dois casos foram confirmados e que a rápida resposta evitou a disseminação do vírus, considerado um dos mais letais do mundo
Por Paloma de Sá | GNEWSUSA
O governo da Índia informou nesta terça-feira (28) que conseguiu conter de forma eficaz o recente surto do vírus Nipah no estado de Bengala Ocidental, após a adoção de medidas rigorosas de vigilância epidemiológica, testagem em larga escala e monitoramento de contatos. Segundo o Ministério da Saúde indiano, 196 pessoas que tiveram contato direto ou indireto com os casos confirmados foram identificadas, acompanhadas e testadas, sem registro de novas infecções.
De acordo com comunicado oficial, apenas dois casos da doença foram confirmados desde dezembro do ano passado, contrariando informações preliminares divulgadas por autoridades locais que chegaram a mencionar um número maior de suspeitas entre profissionais de saúde. Todos os contatos rastreados apresentaram resultado negativo e permaneceram assintomáticos durante o período de observação.
“As ações coordenadas entre as autoridades centrais e estaduais permitiram uma contenção oportuna do vírus. Até o momento, não há registro de novos casos”, informou o Ministério da Saúde, com base em relatórios do Centro Nacional de Controle de Doenças (NCDC).
Resposta rápida e vigilância reforçada
Após a confirmação dos casos, as autoridades ativaram imediatamente os protocolos nacionais de resposta ao vírus Nipah, que incluem isolamento de pacientes, rastreamento detalhado de contatos, intensificação da vigilância clínica e ampliação da capacidade diagnóstica em laboratórios de referência. Equipes de campo também foram mobilizadas para investigar possíveis fontes de infecção e interromper cadeias de transmissão.
O Nipah é classificado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como um patógeno de alta prioridade, devido ao seu potencial epidêmico e à elevada taxa de letalidade, que pode variar entre 40% e 75%, dependendo do surto e da estrutura de resposta dos sistemas de saúde.
O que é o vírus Nipah
O vírus Nipah é uma zoonose que circula principalmente entre morcegos frugívoros do gênero Pteropus. A transmissão para humanos pode ocorrer por meio do consumo de alimentos contaminados por secreções desses animais, pelo contato com animais infectados ou pela transmissão direta entre pessoas, especialmente em ambientes de cuidado, como hospitais.
A infecção pode se manifestar de forma variada, desde quadros respiratórios leves até encefalite grave, caracterizada por inflamação do cérebro, convulsões e coma em poucos dias. Não há, até o momento, vacina ou tratamento antiviral específico aprovado para a doença; o manejo clínico baseia-se em cuidados intensivos de suporte.
Histórico de surtos
Na Índia, o vírus Nipah foi identificado pela primeira vez em 2001, em Bengala Ocidental. Desde então, o país registrou episódios esporádicos, com destaque para o surto ocorrido em 2018 no estado de Kerala, que resultou em pelo menos 17 mortes. Casos mais recentes também foram registrados na mesma região em 2023.
Globalmente, surtos do Nipah já foram documentados em países como Bangladesh, Malásia, Singapura e Filipinas. Em várias dessas ocorrências, a transmissão entre humanos foi responsável por uma parcela significativa dos casos, especialmente entre profissionais de saúde e familiares de pacientes infectados.
Alerta permanece
Apesar da contenção do surto atual, autoridades indianas e organismos internacionais reforçam que o risco associado ao vírus Nipah permanece, especialmente em regiões onde há contato frequente entre humanos, morcegos e animais domésticos. A OMS segue monitorando a situação e mantém o vírus na lista de doenças prioritárias para pesquisa e desenvolvimento de vacinas e terapias.
Especialistas ressaltam que a experiência recente demonstra a importância da vigilância ativa, da transparência na comunicação e da resposta rápida para evitar que surtos localizados evoluam para emergências de saúde pública de maior escala.
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