Discurso em evento oficial omite marco legal de 2018, ignora falhas da atual gestão e reforça estratégia eleitoral do Planalto
Por Ana Raquel |GNEWSUSA
Durante a entrega de unidades do programa Minha Casa, Minha Vida, em Rio Grande (RS), nesta terça-feira (20), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) voltou a adotar um discurso de confronto político e responsabilizou o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) pela disseminação das apostas on-line no Brasil, conhecidas como bets. Segundo Lula, o governo anterior teria levado o “cassino para dentro das casas dos brasileiros”.
A declaração, feita em um evento oficial do governo federal, reforça a escalada do tom eleitoral adotado pelo presidente nos últimos meses, mesmo antes do início formal da campanha. Ao abordar o tema, Lula ignorou que as apostas on-line foram legalizadas em 2018, por meio da Lei nº 13.756, sancionada durante o governo Michel Temer (MDB), e que a regulamentação efetiva do setor só passou a ser estruturada em 2023, já sob sua própria gestão.
Omissão de contexto e contradições
Ao associar diretamente o crescimento das bets ao governo Bolsonaro, Lula desconsidera fatores centrais do debate. Especialistas apontam que o avanço das apostas on-line ocorreu principalmente pela popularização dos smartphones, pela ausência de fiscalização rigorosa durante anos e pela demora do próprio Estado em estabelecer regras claras, algo que atravessou diferentes governos.
Além disso, apesar de criticar a presença massiva de propagandas de apostas na televisão, o governo Lula conviveu por mais de um ano com o setor operando sem regulação completa, período em que empresas estrangeiras atuaram livremente no país, arrecadando bilhões.
Parlamentares da oposição também lembram que o atual governo ampliou a arrecadação sobre as bets, tratando o setor como uma nova fonte de receita, o que contrasta com o discurso moral adotado pelo presidente em eventos públicos.
Evento institucional com discurso político
No mesmo discurso, Lula deixou claro que já enxerga 2026 como um pleito em disputa. O presidente afirmou que o próximo ano será o “ano da comparação” entre seu terceiro mandato e os governos de Jair Bolsonaro e Michel Temer, reforçando o caráter eleitoral de suas falas.
Para críticos, o uso de cerimônias oficiais para ataques políticos e pedidos velados de apoio eleitoral fere o princípio da impessoalidade e antecipa o clima de campanha, além de evidenciar a dificuldade do governo em apresentar resultados concretos sem recorrer à retórica contra adversários.
Estratégia conhecida
A tentativa de transferir responsabilidades ao governo anterior segue uma estratégia já conhecida da atual gestão: atribuir problemas estruturais a administrações passadas, mesmo quando há continuidade administrativa ou responsabilidade compartilhada. No caso das bets, a crítica ignora que o fenômeno é global e que o Brasil demorou anos para estabelecer um marco regulatório eficiente.
Enquanto Lula aposta na polarização e na reedição do discurso “nós contra eles”, a oposição defende que o debate sobre apostas on-line exige medidas objetivas, como proteção a menores, combate ao endividamento das famílias e fiscalização efetiva — e não apenas discursos com viés eleitoral.
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