Presidente critica ação americana na Venezuela e evita condenar histórico autoritário do chavismo
Por Ana Raquel |GNEWSUSA
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) voltou a gerar forte repercussão política ao criticar publicamente os Estados Unidos após a operação internacional que culminou na retirada de Nicolás Maduro do poder na Venezuela, adotando um discurso que ignorou o histórico de autoritarismo, fraudes eleitorais e repressão promovidos pelo regime chavista ao longo dos últimos anos.
A declaração foi feita durante o 14º Encontro Nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), organização historicamente alinhada ao PT e que mantém apoio público ao governo venezuelano. No evento, Lula afirmou estar “indignado” com a ação americana e classificou o episódio como uma violação da soberania da Venezuela, tratando a operação como uma ameaça externa injustificável.
Em sua fala, o presidente voltou a defender a ideia de que a América do Sul deve ser um “território de paz”, sugerindo que a atuação dos Estados Unidos representa risco à estabilidade regional. O discurso, no entanto, omitiu completamente as denúncias internacionais contra Nicolás Maduro, que incluem acusações de fraude eleitoral, repressão violenta a protestos, prisões políticas e violações sistemáticas de direitos humanos.
Maduro governava a Venezuela sob forte contestação interna e externa, com eleições amplamente questionadas e repressão documentada por organismos internacionais. Mesmo diante desse cenário, Lula optou por adotar um tom de solidariedade ao regime chavista, postura que se repete na política externa do PT desde gestões anteriores, marcada pela aproximação com governos autoritários ideologicamente alinhados à esquerda.
A posição do presidente provocou críticas imediatas de parlamentares e analistas do campo conservador, que veem na declaração mais um episódio de relativização de ditaduras de esquerda, enquanto democracias ocidentais são tratadas como antagonistas. Para esse grupo, o discurso ignora o sofrimento do povo venezuelano, que enfrenta há anos colapso econômico, êxodo em massa e repressão estatal.
Apesar de Lula afirmar que o Brasil defende o diálogo e a soberania dos povos, seu histórico recente revela uma tentativa constante de reaproximação com o regime chavista, inclusive após eleições sem transparência e amplamente contestadas. Mesmo diante da ausência de comprovação dos resultados eleitorais na Venezuela, o governo brasileiro manteve canais diplomáticos ativos e evitou críticas diretas a Maduro.
Nos bastidores, aliados do Planalto admitem que o presidente demonstra preocupação com o fortalecimento da presença americana na região. Críticos, porém, afirmam que essa preocupação não pode servir de justificativa para silenciar diante de regimes autoritários, nem para adotar um discurso seletivo quando o tema é democracia e direitos humanos.
O episódio reforça uma marca já conhecida do atual governo: uma política externa orientada por afinidades ideológicas, que relativiza ditaduras alinhadas à esquerda e adota tom crítico em relação a democracias ocidentais. Para a direita, a defesa da democracia, da liberdade e dos direitos humanos deve ser inegociável e universal, independentemente de alinhamento político.
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