Na Venezuela, 16 profissionais da imprensa foram detidos durante a posse de Delcy Rodríguez

Foto: FEDERICO PARRA / AFP
Autoridades e organizações de liberdade de imprensa nos Estados Unidos acompanham prisões ocorridas durante cerimônia em Caracas, em meio à crise política agravada após a captura do ditador Nicolás Maduro
Por Paloma de Sá |GNEWSUSA

Autoridades dos Estados Unidos e organizações internacionais de defesa da liberdade de imprensa acompanham com atenção a detenção de jornalistas durante a posse de Delcy Rodríguez como presidente interina da Venezuela, realizada na segunda-feira (6), na Assembleia Nacional, em Caracas. Ao todo, 16 profissionais da imprensa — entre jornalistas venezuelanos e correspondentes estrangeiros — foram detidos em diferentes pontos do país enquanto exerciam atividade jornalística.

De acordo com o Sindicato Nacional de Trabalhadores da Imprensa da Venezuela (SNTP), 14 jornalistas foram presos nas imediações do Parlamento venezuelano durante a cerimônia oficial. Destes, 13 atuam para agências e veículos internacionais. A maioria foi liberada ainda na noite do mesmo dia, após permanecer horas incomunicável e ser submetida à revista de equipamentos eletrônicos e telefones celulares.

Entre os casos registrados está o de um jornalista estrangeiro com cidadania italiana que, após ser detido durante a cobertura da posse, foi posteriormente deportado da Venezuela. Outros dois correspondentes internacionais também foram detidos na fronteira entre a Venezuela e a Colômbia, elevando para 16 o número total de prisões confirmadas pelo sindicato.

Em nota, o SNTP informou que os profissionais foram obrigados a desbloquear seus celulares, permitindo a verificação de mensagens privadas, registros de ligações, arquivos armazenados e publicações em redes sociais. A entidade afirmou que houve rastreamento de comunicações sem ordem judicial, prática que, segundo o sindicato, viola padrões internacionais de liberdade de imprensa.

A situação foi relatada publicamente pela jornalista venezuelana Patricia Rodríguez, diretora do veículo digital Noticias Ya e integrante da Associação de Imprensa Estrangeira na Venezuela. Segundo ela, o ambiente para o exercício do jornalismo no país se tornou ainda mais hostil, tanto para profissionais locais quanto para correspondentes estrangeiros.

Nos Estados Unidos, o episódio ocorre em meio a uma escalada da crise política venezuelana e ao aumento da tensão diplomática entre Washington e Caracas. No último sábado, autoridades norte-americanas confirmaram a captura do ditador venezuelano Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Flores, durante uma operação conduzida por agências federais dos EUA. Maduro governava a Venezuela sob um regime amplamente classificado como ditatorial por governos ocidentais, organismos multilaterais e entidades internacionais de direitos humanos.

Após a operação, Nicolás Maduro foi transferido para Nova York, onde enfrenta acusações formais de narcotráfico e terrorismo na Justiça dos Estados Unidos. Segundo documentos judiciais, os promotores norte-americanos sustentam que o ex-líder venezuelano utilizou estruturas do Estado para favorecer organizações criminosas transnacionais.

A posse de Delcy Rodríguez como presidente interina ocorreu paralelamente a manifestações de apoiadores do chavismo em Caracas, que exigiam a libertação de Maduro. Ao longo do dia, foi registrado um reforço significativo do aparato policial e militar em diferentes regiões da capital venezuelana.

A sessão na Assembleia Nacional se estendeu até a noite e terminou com relatos de disparos nas proximidades do Palácio de Miraflores, sede do governo. As autoridades venezuelanas afirmaram que os tiros foram efetuados após a identificação de um drone que sobrevoava a área sem autorização oficial. Não houve confirmação de feridos.

Dados do SNTP indicam que mais de 400 veículos de comunicação encerraram suas atividades na Venezuela nos últimos 20 anos, período que abrange os governos de Hugo Chávez e do ditador Nicolás Maduro. Organizações internacionais sediadas nos Estados Unidos seguem monitorando os impactos das detenções sobre a atuação da imprensa estrangeira e sobre as condições de liberdade de expressão no país.

Até o momento, o governo venezuelano não apresentou um posicionamento oficial detalhado sobre as prisões nem sobre os procedimentos adotados contra os jornalistas durante a cobertura da cerimônia.

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