Organismo é capaz de se adaptar à falta de alimentos por um período limitado, mas especialistas alertam que a prática exige cautela e acompanhamento profissional
Por Paloma de Sá | GNEWSUSA
Passar 36 horas sem ingerir alimentos é uma prática que desperta curiosidade e divide opiniões na área da saúde. Embora o corpo humano possua mecanismos de adaptação que permitem enfrentar períodos prolongados sem comida, esse tipo de jejum provoca mudanças metabólicas profundas e não é isento de riscos. Especialistas afirmam que a estratégia pode trazer efeitos específicos ao organismo, mas deve ser adotada com cautela e nunca sem orientação adequada.
Nas primeiras horas sem alimentação, o organismo utiliza a glicose circulante no sangue como principal fonte de energia. Em seguida, recorre ao glicogênio, uma reserva de açúcar armazenada principalmente no fígado e nos músculos. Essas reservas costumam se esgotar entre 12 e 24 horas após a última refeição.
Quando o glicogênio diminui, o corpo passa a buscar energia na gordura corporal. Esse processo leva à produção de corpos cetônicos, que passam a abastecer o cérebro e outros órgãos. Essa mudança metabólica, conhecida como cetose, é uma resposta natural à ausência de alimentos e permite que o organismo continue funcionando mesmo sem ingestão calórica.
Além da mudança na fonte de energia, o jejum prolongado ativa mecanismos internos de adaptação celular. Um deles é a autofagia, processo pelo qual o corpo recicla componentes celulares danificados ou envelhecidos. Estudos indicam que essa resposta pode contribuir para a redução de inflamações e para a manutenção da saúde celular, embora seus benefícios ainda estejam sendo amplamente investigados pela ciência.
Apesar dessas adaptações, o período entre 24 e 36 horas sem comer pode ser acompanhado de sintomas físicos e cognitivos. Entre os mais comuns estão sensação de fraqueza, tontura, dores de cabeça, irritabilidade, dificuldade de concentração e queda nos níveis de energia. Essas reações estão ligadas principalmente à redução da glicose no sangue e à fase de transição metabólica.
Os riscos aumentam quando o jejum ocorre sem hidratação adequada. A falta de reposição de líquidos e eletrólitos, como sódio e potássio, pode provocar desequilíbrios que afetam o funcionamento do coração, dos músculos e do sistema nervoso. Em casos mais sensíveis, podem surgir palpitações, confusão mental e mal-estar intenso.
Especialistas também alertam para a possibilidade de perda de massa muscular em jejuns prolongados, especialmente quando a prática é repetida com frequência. Isso ocorre porque, além da gordura, o corpo pode utilizar proteínas musculares como fonte alternativa de energia para manter funções vitais.
O jejum de 36 horas não é indicado para todos. Pessoas com diabetes, histórico de hipoglicemia, distúrbios alimentares, doenças crônicas, além de gestantes, lactantes e indivíduos em uso contínuo de determinados medicamentos, devem evitar esse tipo de prática ou realizá-la apenas sob supervisão médica.
Profissionais de saúde reforçam que, para quem considera períodos prolongados sem alimentação, o acompanhamento médico ou nutricional é fundamental. Avaliação clínica prévia, hidratação adequada, atenção aos sinais do corpo e interrupção imediata do jejum em caso de mal-estar são medidas essenciais para reduzir riscos.
Embora o organismo humano seja resiliente e capaz de se adaptar temporariamente à falta de alimentos, especialistas destacam que jejuns longos não devem ser vistos como solução universal para saúde ou emagrecimento. Estratégias alimentares equilibradas e individualizadas continuam sendo consideradas as abordagens mais seguras e eficazes para a maioria das pessoas.
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