Policial e piloto corajoso, Pérez tornou-se símbolo de resistência contra a tirania, inspirando um povo a lutar sem medo
Por Ana Raquel |GNEWSUSA
Óscar Alberto Pérez (Caracas, 7 de abril de 1981 – Caracas, 15 de janeiro de 2018) foi um policial, piloto de helicóptero, investigador do CICPC e ator venezuelano que ficou mundialmente conhecido por desafiar o regime de Nicolás Maduro em plena crise política da Venezuela. Sua trajetória mistura coragem, polêmica e um simbolismo de resistência que permanece até hoje.
Trajetória profissional e vida pessoal
Pérez começou sua carreira como investigador no Cuerpo de Investigaciones Científicas, Penales y Criminalísticas (CICPC), a principal agência de investigação criminal da Venezuela. Durante anos, atuou na divisão aérea, acumulando experiência como piloto de helicóptero, o que futuramente seria fundamental em sua ação contra o governo.
Além de policial, Pérez também trabalhou como ator, participando do filme de ação Muerte Suspendida. Sua figura pública, combinada com a vida militar e policial, lhe rendeu popularidade e apelidos como “o James Bond venezuelano”.
O ataque de junho de 2017
Em 27 de junho de 2017, Pérez protagonizou uma ação histórica: sobrevoou Caracas em um helicóptero da polícia, lançando granadas e disparando tiros contra prédios do governo, incluindo o Tribunal Supremo de Justiça e o Ministério do Interior, em protesto contra a tirania do regime de Maduro.
Durante o voo, o helicóptero exibia um banner com a inscrição “350 Libertad”, em referência ao artigo da constituição venezuelana que permite ao povo rejeitar regimes que violem direitos e princípios democráticos. Pérez gravou vídeos explicando que sua ação fazia parte de uma coalizão de militares, policiais e civis contra a tirania, convocando os venezuelanos a resistirem ao regime.
O ataque não resultou em mortes naquele momento, mas marcou Pérez como um dos opositores mais ousados do governo, um símbolo de coragem e resistência.
Perseguição e vida na clandestinidade
Após a ação, o governo de Maduro iniciou uma intensa caçada contra Pérez. Ele passou a viver na clandestinidade, mas continuou a publicar vídeos criticando o regime e convocando protestos. Sua figura polarizou a opinião pública: muitos o viam como símbolo de resistência e luta pela liberdade, enquanto o governo o considerava uma ameaça.
A operação final e a morte de Pérez
Em 15 de janeiro de 2018, forças de segurança localizaram Pérez e seus aliados em Caracas, no bairro de El Junquito. Durante o confronto, Pérez e seis de seus apoiadores foram mortos. Relatos indicam que ele chegou a tentar se render, mas o confronto continuou até sua morte. Dois policiais também morreram durante a operação.
A maneira como Pérez foi morto gerou críticas e levantou suspeitas de possíveis execuções extrajudiciais, aumentando o debate sobre a legalidade e a ética da ação do governo.
Legado e impacto
Óscar Pérez se tornou um símbolo de resistência e coragem para a oposição venezuelana e defensores da liberdade. Sua história inspira aqueles que lutam contra regimes autoritários e permanece um exemplo de bravura diante de grandes riscos. Para o governo de Maduro, Pérez continua sendo lembrado como uma figura controversa, mas para muitos, ele é um herói que lutou pela liberdade do povo venezuelano.
Mesmo após sua morte, sua imagem e atos de resistência seguem sendo lembrados e citados como inspiração para aqueles que acreditam que a luta contra a opressão é justa e necessária.
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