Dados da ONU indicam que contaminação atmosférica causou 8,1 milhões de óbitos prematuros em 2021; Organização Mundial da Saúde alerta que quase toda a população global respira ar poluído
Por Paloma de Sá | GNEWSUSA
A poluição do ar segue como uma das maiores ameaças globais à saúde pública, ao meio ambiente e ao desenvolvimento sustentável. Em 2021, a exposição a contaminantes atmosféricos foi responsável por cerca de 8,1 milhões de mortes prematuras em todo o mundo, segundo dados apresentados pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma). O problema atinge praticamente toda a população global e afeta desde grandes centros urbanos até regiões rurais.
Carros, indústrias, queimadas e incêndios florestais expõem diariamente bilhões de pessoas a níveis perigosos de poluição atmosférica. O alerta foi reforçado pelas Nações Unidas em janeiro, no contexto das ações ligadas ao Dia Internacional do Ar Limpo para Céus Azuis, iniciativa que busca conscientizar governos e a sociedade sobre a urgência de reduzir a contaminação do ar.
De acordo com o Pnuma, a poluição do ar permanece como uma ameaça persistente, com impactos diretos na saúde humana, no clima, na economia e na qualidade de vida das populações. O secretário-geral da ONU, António Guterres, classifica o cenário como uma emergência global, que exige respostas rápidas e coordenadas.
Poluição do ar dentro e fora de casa
A contaminação atmosférica ocorre tanto em ambientes internos quanto externos. Dentro das residências, o problema está principalmente ligado à queima de combustíveis sólidos, como lenha, carvão vegetal e esterco animal, utilizados por bilhões de pessoas para cozinhar e aquecer ambientes. Esses materiais liberam partículas finas, fuligem e gases tóxicos que permanecem suspensos no ar.
Já a poluição do ar exterior tem múltiplas origens, incluindo veículos motorizados, fábricas, usinas, incêndios florestais e tempestades de poeira. Entre os poluentes mais nocivos estão as partículas inaláveis PM10 e PM2.5, além do monóxido de carbono, do ozônio troposférico, do dióxido de nitrogênio e do dióxido de enxofre.
Exposição quase total da população mundial
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 99% da população global vive em locais onde a qualidade do ar não atende aos padrões considerados seguros. As partículas PM10 conseguem penetrar profundamente nos pulmões, enquanto as PM2.5 representam risco ainda maior, pois podem atingir a corrente sanguínea e afetar órgãos vitais.
A exposição contínua à poluição do ar está associada a doenças respiratórias e cardiovasculares, acidentes vasculares cerebrais, câncer de pulmão e complicações na gestação. Em 2021, mais de 700 mil mortes atribuídas à poluição atmosférica ocorreram entre crianças com menos de cinco anos, evidenciando o impacto desproporcional sobre populações vulneráveis.
Efeitos no clima, no esporte e no desenvolvimento
Além dos danos à saúde, muitos poluentes atmosféricos contribuem diretamente para o aquecimento global. Substâncias como o metano e o carbono negro, conhecidos como “superpoluentes”, respondem por parcela significativa do aumento da temperatura média do planeta.
A qualidade do ar também tem interferido em eventos esportivos, com registros de riscos à saúde de atletas expostos a altos níveis de contaminação. Em resposta, entidades esportivas passaram a adotar sensores para monitorar a qualidade do ar antes e durante competições.
Especialistas destacam que reduzir a poluição atmosférica é essencial para o cumprimento de diversos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), especialmente os relacionados à saúde, redução da pobreza, combate às desigualdades e segurança alimentar.
Cooperação global para enfrentar o problema
Como os poluentes não respeitam fronteiras, a ONU reforça que o enfrentamento da poluição do ar depende de cooperação internacional, com compartilhamento de dados, alinhamento de políticas públicas e mobilização conjunta de recursos.
Entre as medidas prioritárias estão o fortalecimento dos sistemas de monitoramento da qualidade do ar, o uso de evidências científicas na formulação de políticas, a limitação de emissões por meio de legislação e o reforço das instituições ambientais.
As Nações Unidas seguem apoiando países e comunidades por meio de iniciativas globais voltadas à promoção de um ambiente limpo, saudável e sustentável, com foco na proteção da vida e das futuras gerações.
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