Manifestação organizada pelo MBL reuniu apoiadores na capital paulista e questionou a condução do caso no Supremo Tribunal Federal
Por Ana Raquel |GNEWSUSA
Manifestantes ligados ao Movimento Brasil Livre (MBL) realizaram, na noite desta quinta-feira (22), um protesto em frente à sede do Banco Master, na Avenida Faria Lima, em São Paulo. O ato teve como principal reivindicação o afastamento do ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), da condução dos processos relacionados ao caso que envolve a instituição financeira.
Com cartazes, faixas e palavras de ordem, os participantes pediram mais transparência nas investigações e entoaram frases como “Fora, Dias Toffoli” e “Ei, Vorcaro, cadê a delação?”, em referência ao banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master. Segundo os organizadores, a mobilização foi convocada pelas redes sociais e reuniu centenas de pessoas, mantendo caráter pacífico ao longo do ato.
Protesto ocorreu sob acompanhamento policial
A sede do banco, localizada na Rua Elvira Ferraz, no bairro do Itaim Bibi, estava cercada por tapumes desde a quarta-feira (21), o que impediu o acesso direto dos manifestantes à fachada do prédio. Ainda assim, faixas e imagens de investigados foram fixadas na estrutura montada no entorno do local.
Uma equipe da Polícia Militar acompanhou a manifestação para garantir a segurança e a fluidez da via. Até o encerramento do protesto, não houve registro de confrontos ou ocorrências.
Questionamentos sobre a atuação do STF
O foco das críticas do MBL está na atuação do ministro Dias Toffoli no caso do Banco Master. Em dezembro, Toffoli assumiu a relatoria do inquérito após aceitar pedido da defesa para que a investigação fosse transferida ao STF. Com isso, procedimentos que tramitavam em instâncias inferiores foram suspensos, e as decisões passaram a ser concentradas no Supremo.
A justificativa apresentada pelo ministro foi a existência de informações econômicas sensíveis, que, segundo ele, poderiam gerar impactos no sistema financeiro caso fossem amplamente divulgadas. Desde então, Toffoli autorizou medidas como decretação de sigilo sobre partes do inquérito, acareações e outras diligências, alegando urgência na condução do processo.
Para os organizadores do protesto, essa centralização levanta dúvidas sobre a transparência e a imparcialidade da investigação, motivando o pedido de afastamento do magistrado do caso.
Banco Master no centro das investigações
O Banco Master teve a liquidação extrajudicial decretada pelo Banco Central em novembro de 2025, após o surgimento de suspeitas envolvendo operações financeiras da instituição. Desde então, o caso passou a ser investigado por diferentes órgãos e ganhou repercussão nacional.
No dia 14 de janeiro, a Polícia Federal deflagrou uma nova fase da operação que apura possíveis irregularidades ligadas ao banco, ampliando o alcance das investigações para familiares de Daniel Vorcaro e outros nomes do mercado financeiro. Nesta etapa, foram cumpridos 42 mandados de busca e apreensão, além de medidas de bloqueio e sequestro de bens que, segundo informações oficiais, ultrapassam R$ 5,7 bilhões.
Caso extrapola esfera criminal
Com o avanço das apurações, o episódio deixou de se restringir ao campo policial e passou a envolver debates sobre o papel do Banco Central, do Tribunal de Contas da União (TCU) e do próprio Supremo Tribunal Federal. Especialistas e parlamentares discutem os impactos do caso sobre a estabilidade do sistema financeiro e os limites de atuação das instituições do Estado.
As manifestações do MBL refletem esse cenário de pressão pública e política, ao cobrar esclarecimentos e mudanças na condução do caso. Até o momento, Dias Toffoli não anunciou qualquer intenção de se afastar da relatoria, e as investigações seguem sob sua responsabilidade no STF.
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