Ação do Estado isola templo protestante e reforça denúncias de perseguição religiosa
Por Ana Raquel |GNEWSUSA
Wenzhou (China) — Uma operação conduzida por autoridades chinesas contra a Igreja Cristã de Yayang, na cidade de Wenzhou, província de Zhejiang, gerou preocupação entre fiéis e organizações internacionais que monitoram a liberdade religiosa. Segundo a entidade ChinaAid, que acompanha casos de perseguição religiosa no país, forças de segurança mobilizaram grande efetivo policial e maquinário pesado no entorno do templo na segunda-feira (5).
De acordo com a organização, agentes ligados ao Partido Comunista Chinês (PCC) isolaram completamente a área ao redor da igreja durante a ação. Ainda segundo a ChinaAid, moradores cristãos que vivem nas proximidades teriam sido retirados de suas residências, e pessoas presentes no local receberam ordens para não registrar imagens ou vídeos da operação.
Relatos da entidade indicam que guindastes, tratores e outros equipamentos de engenharia pesada foram posicionados nas imediações do prédio religioso. Até o momento, o governo chinês não divulgou comunicado oficial esclarecendo os objetivos da mobilização.
A ChinaAid afirma que, diante do histórico de intervenções semelhantes na região, há receio entre os fiéis de que a ação resulte na remoção da cruz instalada no templo ou em medidas estruturais contra a igreja. A organização sustenta que membros da Igreja de Yayang enfrentam intimidações frequentes por não estarem vinculados às instituições religiosas oficialmente reconhecidas pelo Estado.
A situação em Wenzhou ocorre em um contexto mais amplo de ações do governo chinês contra igrejas protestantes independentes. Conforme reportado pela BBC, ao menos nove líderes da Igreja Early Rain Covenant, na cidade de Chengdu, foram detidos recentemente após operações policiais em residências e em instalações associadas à igreja. Segundo a emissora britânica, cinco deles foram libertados, enquanto outros continuam sob custódia.
A Human Rights Watch também se manifestou sobre o caso, afirmando que as ações fazem parte de um endurecimento da repressão contra igrejas consideradas “não registradas” pelas autoridades chinesas. Segundo a organização, aproximadamente 100 membros da Igreja de Yayang teriam sido detidos entre dezembro de 2025 e janeiro deste ano, com pelo menos duas dezenas ainda detidas.
De acordo com a Human Rights Watch, esse cenário está inserido na política oficial conhecida como “sinização da religião”, promovida pelo presidente Xi Jinping, que estabelece que atividades religiosas devem se submeter às diretrizes ideológicas e administrativas do Partido Comunista Chinês.
Entidades internacionais de direitos humanos alertam que detenções em massa, restrições à prática religiosa e eventuais medidas contra templos podem contrariar compromissos internacionais assumidos pela China, incluindo princípios relacionados à liberdade religiosa e de culto.
Até o momento, as autoridades chinesas não responderam às acusações feitas pelas organizações internacionais nem apresentaram esclarecimentos públicos sobre a operação em Wenzhou.
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