Secretário de reformas da Fazenda pede exoneração após impasses fiscais no governo Lula

Saída ocorre após sanção da isenção do Imposto de Renda e sucessivas derrotas do Executivo no Congresso Nacional

Por Ana Raquel |GNEWSUSA 

O secretário de Reformas Econômicas do Ministério da Fazenda, Marcos Barbosa Pinto, deixou oficialmente o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O pedido de exoneração foi feito na última sexta-feira (2) e publicado nesta segunda-feira (5) no Diário Oficial da União, marcando o fim de sua atuação em uma das áreas mais sensíveis da política econômica federal.

A saída ocorre em um contexto de derrotas consecutivas do governo no Congresso Nacional, especialmente em pautas relacionadas ao aumento de tributação e à revisão de benefícios fiscais. Embora Barbosa Pinto já tivesse sinalizado, ainda em novembro do ano passado, a intenção de retornar à iniciativa privada, o ambiente político adverso acelerou o encerramento de seu ciclo na equipe econômica.

Reformas travadas e desgaste político

À frente da Secretaria de Reformas Econômicas, Marcos Barbosa Pinto foi um dos principais formuladores da agenda tributária da Fazenda. Entre suas atribuições estiveram discussões sobre mudanças no Imposto de Renda e a participação na criação de programas como o Desenrola e o Pé-de-Meia, iniciativas defendidas pelo governo como instrumentos de alívio financeiro e política social.

Nos meses mais recentes, no entanto, sua atuação ficou marcada por propostas que encontraram forte resistência no Legislativo, como alterações no Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT) e a tentativa de extinguir a isenção de impostos sobre LCAs e LCIs, títulos amplamente utilizados pelo agronegócio e pelo setor imobiliário.

A reação do Congresso foi imediata. Parlamentares apontaram riscos ao crédito, ao investimento produtivo e ao setor rural, levando à derrota do governo nessas pautas.

Reconhecimento do limite político

Após os reveses, o próprio Barbosa Pinto admitiu publicamente que não havia ambiente político para insistir nas propostas, reconhecendo que a decisão do Congresso deveria ser respeitada. A declaração foi interpretada, nos bastidores, como o reconhecimento de que a agenda de reformas defendida pela Fazenda havia chegado a um impasse.

A avaliação interna foi de que o desgaste político inviabilizou novos avanços, tornando insustentável a permanência do secretário no cargo.

Saída sem substituto

A exoneração foi publicada sem anúncio imediato de um sucessor, o que reforça a percepção de fragilidade na condução da política econômica. Até o momento, o Ministério da Fazenda não informou quem assumirá a secretaria.

A saída de Marcos Barbosa Pinto expõe, mais uma vez, as dificuldades do governo Lula em articular sua agenda econômica no Congresso e evidencia o distanciamento entre as propostas da equipe econômica e a realidade política do país.

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