Ministro determina que dispositivos e documentos sejam lacrados e mantidos no STF
Por Ana Raquel |GNEWSUSA
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli impôs restrições ao acesso a provas da operação contra o Banco Master em duas ocasiões nos últimos 30 dias. As decisões envolveram bens e materiais apreendidos pela Polícia Federal (PF), incluindo aparelhos eletrônicos, documentos e mídias digitais.
Na manhã desta quarta-feira (14), Toffoli determinou que todos os materiais coletados durante a operação, deflagrada para investigar o empresário Fabiano Zettel e outros envolvidos, fossem lacrados e acautelados diretamente na sede do STF, “até ulterior determinação”. A medida incluiu a realização de busca pessoal em Zettel, em Nelson Tanure e em seus pertences, como bagagens, celulares e outros dispositivos eletrônicos. Zettel foi detido ao tentar embarcar para Dubai, nos Emirados Árabes Unidos.
Também houve ordem de busca e apreensão na residência de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. A Procuradoria-Geral da República (PGR) defendeu que a diligência visava a coleta de documentos, registros, mídias e dispositivos de armazenamento de dados.
Integrantes da PF relataram surpresa com a decisão do ministro e expressaram preocupação com a preservação das provas. Delegados destacaram o risco de que os aparelhos eletrônicos não sejam analisados imediatamente, o que poderia prejudicar a investigação. Além disso, houve questionamentos sobre a capacidade técnica do STF para realizar a extração de dados de forma segura.
O diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, solicitou que Toffoli reconsiderasse a medida, argumentando que o acesso imediato à perícia técnica era necessário para não comprometer a operação. Em nota, o gabinete de Toffoli orientou que os dispositivos fossem mantidos carregados, mas desconectados de redes de internet e telefonia, preservando assim seu conteúdo.
Horas depois, atendendo a um pedido do procurador-geral da República, Paulo Gonet, o ministro recuou da decisão mais recente e determinou que a PF enviasse todo o material à PGR, para que a instituição realize a extração e análise das provas.
Esta não é a primeira vez que Toffoli restringe o acesso a documentos do caso. Em dezembro, ele determinou que dados sigilosos apreendidos no celular de Vorcaro fossem retirados da CPMI do INSS e ficassem sob supervisão da Presidência do Senado, à época comandada por Davi Alcolumbre (União-AP). Segundo o ministro, o material deveria permanecer lacrado até posterior deliberação do STF. Essa decisão continua válida.
O episódio evidencia a tensão entre as autoridades judiciais, a PF e a PGR sobre a condução da investigação e a preservação das provas, mostrando a complexidade e a cautela necessária em casos de grande repercussão como o do Banco Master.
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