Imunizante inédito no mundo, desenvolvido pelo Instituto Butantan, integra estratégia nacional para reduzir a transmissão da dengue e avaliar impacto populacional da vacinação em massa
Por Paloma de Sá | GNEWSUSA
O município paulista de Botucatu iniciou neste domingo (18) a aplicação da primeira vacina 100% brasileira e de dose única contra a dengue, marcando um avanço histórico na luta contra uma das doenças que mais afetam a saúde pública no país. Desenvolvido pelo Instituto Butantan, o imunizante passa a ser utilizado em uma estratégia piloto que busca avaliar, na prática, o impacto da vacinação em larga escala na redução da circulação do vírus.
Botucatu integra um grupo seleto de cidades escolhidas para a fase inicial da estratégia nacional, ao lado de Maranguape (CE) e Nova Lima (MG). A iniciativa tem como objetivo produzir evidências científicas sobre a efetividade da vacina em contexto real, considerando não apenas a proteção individual, mas também o efeito coletivo na diminuição da transmissão da dengue.
Vacina inédita no mundo e com tecnologia nacional
A vacina aplicada em Botucatu é a primeira do mundo contra a dengue administrada em dose única, o que representa uma vantagem significativa em termos de adesão da população e logística de imunização. O imunizante oferece proteção contra os quatro sorotipos do vírus da dengue e apresentou, nos estudos clínicos, eficácia global de 74%, além de redução de 91% nos casos graves e 100% de proteção contra hospitalizações decorrentes da doença.
Nos municípios-piloto, a vacina está sendo aplicada em pessoas com idade entre 15 e 59 anos, público definido de acordo com os critérios estabelecidos em bula e com a regulamentação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). A imunização ocorre nas Unidades Básicas de Saúde (UBS) e em pontos estratégicos montados pelas prefeituras.
Estratégia avalia impacto coletivo da vacinação
A proposta vai além da proteção individual. Ao longo de um ano, especialistas irão monitorar a incidência da dengue nos municípios participantes, comparando os dados antes e depois da vacinação em massa. Também está previsto o acompanhamento rigoroso de possíveis eventos adversos raros, seguindo protocolos internacionais de farmacovigilância.
Botucatu foi escolhida para a estratégia acelerada por seu histórico como referência em estudos de efetividade vacinal. O município já participou de iniciativas semelhantes durante a pandemia de Covid-19, contribuindo para a avaliação de campanhas de vacinação em larga escala no Brasil.
Distribuição de doses e ampliação da produção
Nesta primeira etapa, 204,1 mil doses foram distribuídas entre os três municípios participantes: 80 mil para Botucatu, 60,1 mil para Maranguape e 64 mil para Nova Lima. As doses fazem parte do primeiro lote de 1,3 milhão de vacinas produzidas pelo Instituto Butantan, com apoio financeiro do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).
A expectativa é de ampliação progressiva da produção. Por meio de uma parceria de transferência de tecnologia entre o Instituto Butantan e a empresa chinesa WuXi Vaccines, a capacidade produtiva pode aumentar em até 30 vezes, permitindo a expansão gradual da vacinação para outros municípios e faixas etárias.
Vacinação por faixa etária segue estratégias complementares
Enquanto a vacina brasileira de dose única é destinada à população de 15 a 59 anos, crianças e adolescentes de 10 a 14 anos continuam sendo imunizados com a vacina de duas doses já incorporada ao Sistema Único de Saúde (SUS). Inicialmente restrita a municípios prioritários, essa vacina passou a ser ofertada em todo o território nacional, alcançando mais de 5 mil cidades.
O Brasil se tornou, em 2024, o primeiro país do mundo a oferecer vacina contra a dengue de forma gratuita em um sistema público de saúde, consolidando uma política inédita de enfrentamento à doença.
Cenário epidemiológico reforça importância da vacinação
Em 2025, o Brasil registrou uma queda de 74% nos casos de dengue em comparação com o ano anterior. Foram contabilizados 1,7 milhão de casos prováveis, frente a 6,5 milhões em 2024. O número de óbitos também apresentou redução expressiva, com 1,7 mil mortes, representando queda de 72%.
Apesar dos avanços, autoridades de saúde reforçam que a vacinação não substitui as medidas tradicionais de combate ao mosquito Aedes aegypti. A eliminação de criadouros, o controle vetorial, o uso de inseticidas e a adoção de tecnologias inovadoras seguem sendo fundamentais para evitar novos surtos de dengue, chikungunya e zika.
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