Relatórios apontam que sistemas críticos da Terra podem cruzar “pontos de não retorno”, elevando riscos de impactos duradouros no clima, nos ecossistemas e nas sociedades humanas
Por Tatiane Martinelli | GNEWSUSA
Pesquisadores climáticos de diferentes instituições alertam que o planeta está cada vez mais perto de cruzar limites críticos — conhecidos como pontos de “tipping points” — que podem desencadear mudanças irreversíveis no sistema climático da Terra. Esses pontos de inflexão representam situações em que pequenas variações na temperatura ou em outros parâmetros ambientais podem levar a grandes transformações permanentes em partes essenciais do sistema terrestre.
O que são os pontos de inflexão
Pontos de inflexão climática são momentos em que componentes importantes do sistema da Terra, como geleiras polares, correntes oceânicas ou florestas tropicais, deixam de funcionar como antes e passam por mudanças profundas e persistentes. Uma vez ultrapassados esses limites, os efeitos podem ser duradouros — mesmo se as temperaturas globais forem reduzidas posteriormente.
Evidências e sinais de alerta
Segundo relatórios científicos recentes, alguns desses pontos de não retorno já podem estar começando a ser ultrapassados:
- Recifes de corais de água quente já apresentam sinais de colapso generalizado — um dos primeiros limites críticos a ser cruzado.
- A desestabilização de grandes mantos de gelo, como os presentes na Groenlândia e na Antártica Ocidental, está avançando com o aquecimento global, o que pode acelerar a elevação do nível do mar em décadas futuras.
- Mudanças em grandes ecossistemas, como a floresta amazônica, aumentam o risco de que ela pare de funcionar como sumidouro de carbono em vez de emissor, intensificando o aquecimento global.
Relatórios indicam que a temperatura média global está a caminho de ultrapassar 1,5 °C acima dos níveis pré-industriais, um limiar que pesquisadores consideram crítico para desencadear ainda mais desses pontos de inflexão.
Por que isso importa
A aproximação desses limiares significa que alguns efeitos das mudanças climáticas podem se tornar difíceis — ou impossíveis — de reverter no futuro próximo. Isso inclui elevação dos níveis dos mares, alterações nos padrões de chuva, frequências extremas de calor e mudanças nos ecossistemas que sustentam a vida humana e a biodiversidade.
Especialistas em clima destacam que esses riscos não estão distribuídos uniformemente: comunidades vulneráveis, populações costeiras e sistemas naturais já sob estresse podem experimentar os piores efeitos primeiro e com mais intensidade.
Possíveis respostas e limitações
Embora cortar drasticamente as emissões de gases de efeito estufa e acelerar a transição para energia limpa possa reduzir algumas probabilidades de cruzar esses pontos críticos, muitos cientistas apontam que alguns sistemas podem já estar além do ponto de recuperação sem intervenção imediata e coordenada.
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