Cientistas de Stanford descobrem forma inédita de regenerar cartilagem e frear avanço da artrite

Nova terapia experimental reverte danos nas articulações, impede desenvolvimento da osteoartrite e pode reduzir drasticamente a necessidade de cirurgias de joelho e quadril
Por Paloma de Sá | GNEWSUSA

Pesquisadores da Stanford Medicine anunciaram uma descoberta científica promissora que pode transformar o tratamento da artrite e das lesões articulares. Um estudo publicado em janeiro de 2026 revelou que uma injeção capaz de bloquear uma proteína associada ao envelhecimento conseguiu regenerar cartilagem danificada em ratos idosos e interromper o avanço da osteoartrite após lesões no joelho. Testes laboratoriais com cartilagem humana também apresentaram resultados positivos, abrindo caminho para futuras terapias em humanos.

Uma equipe de cientistas da Stanford Medicine identificou um mecanismo capaz de reverter a degeneração da cartilagem articular, uma das principais causas da osteoartrite, condição que afeta cerca de um em cada cinco adultos nos Estados Unidos. A descoberta envolve a inibição da enzima 15-PGDH, considerada uma “enzima mestre do envelhecimento”, responsável por acelerar o desgaste dos tecidos ao longo dos anos.

Nos experimentos com ratos idosos, a aplicação de uma pequena molécula inibidora da 15-PGDH levou à regeneração significativa da cartilagem do joelho, restaurando sua espessura, resistência e função. O tratamento também foi eficaz na prevenção do desenvolvimento de artrite após lesões comuns em atletas, como a ruptura do ligamento cruzado anterior (LCA).

Além dos testes em animais, os pesquisadores analisaram amostras de cartilagem humana retiradas durante cirurgias de substituição do joelho. Após uma semana de tratamento em laboratório, os tecidos apresentaram sinais claros de regeneração, com aumento da produção de cartilagem hialina — o tipo responsável pelo movimento suave das articulações — e redução dos marcadores inflamatórios.

Um novo paradigma no tratamento da osteoartrite

Atualmente, os tratamentos disponíveis para a osteoartrite concentram-se no alívio da dor, controle da inflamação e, nos casos mais graves, substituição cirúrgica da articulação. Não há medicamentos aprovados capazes de regenerar a cartilagem perdida. A nova abordagem proposta pelos cientistas atua diretamente na causa do problema, ao reprogramar geneticamente as células já existentes na cartilagem para que retomem um comportamento jovem e regenerativo.

“Esta é uma nova maneira de regenerar tecidos adultos e oferece uma promessa clínica extremamente relevante para o tratamento da artrite associada ao envelhecimento e às lesões”, afirmou a professora Helen Blau, líder do estudo e diretora do Laboratório Baxter de Biologia de Células-Tronco.

Diferentemente de outras estratégias que buscam ativar células-tronco, os pesquisadores constataram que, na cartilagem, a regeneração ocorre por meio da reprogramação dos próprios condrócitos — células responsáveis pela produção da cartilagem — sem a participação direta de células-tronco.

Regeneração intensa e rápida

Os resultados foram considerados surpreendentes. Em ratos idosos, a cartilagem articular voltou a apresentar características semelhantes às de animais jovens, tanto em espessura quanto em funcionalidade. Nos modelos de lesão, os animais tratados desenvolveram significativamente menos osteoartrite e apresentaram maior mobilidade e menor dor ao caminhar.

Segundo o professor associado de cirurgia ortopédica Nidhi Bhutani, coautor do estudo, “o efeito observado foi extraordinário, superando qualquer outro tratamento experimental já testado na regeneração da cartilagem”.

Impacto potencial na medicina

Se os resultados forem replicados em humanos, essa abordagem poderá reduzir drasticamente a necessidade de cirurgias de substituição de joelho e quadril, procedimentos que representam altos custos para os sistemas de saúde e longos períodos de reabilitação para os pacientes.

Ensaios clínicos de fase I com uma versão oral do inibidor da 15-PGDH, voltados inicialmente para o tratamento da fraqueza muscular relacionada à idade, já demonstraram segurança em voluntários saudáveis. A equipe de Stanford planeja agora avançar para testes específicos voltados à regeneração da cartilagem em humanos.

“Estamos extremamente otimistas. A possibilidade de restaurar a cartilagem perdida pode mudar completamente o cenário da ortopedia moderna”, destacou Blau.

Segurança e próximos passos

Os pesquisadores reforçam que, embora os resultados sejam altamente promissores, ainda são necessários estudos clínicos mais amplos para confirmar a eficácia e segurança do tratamento em pacientes com osteoartrite e lesões articulares. Caso os testes sejam bem-sucedidos, a nova terapia poderá representar uma das maiores revoluções no tratamento de doenças articulares das últimas décadas.

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