Crise do lixo em Gaza ameaça saúde pública e intensifica risco de epidemias

ONU News Estrada em Gaza com enormes pilhas de escombros e detritos

Acúmulo de 370 mil toneladas de resíduos favorece proliferação de vetores, agrava doenças infecciosas e expõe população a condições sanitárias extremas

Por Paloma de Sá | GNEWSUSA

A Faixa de Gaza iniciou uma ampla operação para remover cerca de 370 mil toneladas de lixo acumuladas ao longo de dois anos, num esforço emergencial para conter uma grave crise ambiental e sanitária que vem afetando diretamente a saúde da população local. A ação é coordenada por organizações da sociedade civil, com apoio do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud), em cooperação com agências humanitárias e autoridades locais.

O trabalho começou na região do Mercado Firas, no centro da Cidade de Gaza, considerada o maior ponto de acúmulo de resíduos desde o início da guerra. Caminhões, tratores e escavadeiras atuam diariamente na remoção dos detritos, transportando-os para áreas afastadas de zonas residenciais, numa tentativa de reduzir os impactos ambientais e os riscos à saúde pública.

Ameaça crescente à saúde coletiva

A presença massiva de lixo nas ruas e áreas urbanas densamente povoadas transformou-se num dos principais fatores de deterioração das condições sanitárias em Gaza. A decomposição dos resíduos favorece a proliferação de mosquitos, moscas, roedores e outros vetores de doenças, aumentando o risco de surtos infecciosos, especialmente entre crianças, idosos e pessoas com o sistema imunológico comprometido.

Segundo relatos de organizações humanitárias, os casos de infecções respiratórias, doenças de pele, problemas gastrointestinais e enfermidades transmitidas por insetos têm aumentado significativamente nos últimos meses. O acúmulo de detritos também compromete a qualidade do ar, intensificando problemas respiratórios e alergias.

Amjad Al-Shawa, coordenador da Rede de ONGs da Faixa de Gaza, afirmou que a remoção do lixo representa um passo essencial para a contenção de epidemias. “O acúmulo prolongado favoreceu o surgimento de doenças, infestação de insetos, roedores e até animais errantes. Iniciar esse processo significa devolver um pouco de dignidade e segurança à população”, declarou.

Moradores relatam sofrimento diário

Famílias que vivem próximas aos locais de descarte improvisado descrevem um cenário de constante ameaça. O forte odor, a presença contínua de mosquitos e o aumento de cães vadios tornaram-se parte da rotina.

O morador Anwar Helles afirma que a situação impacta diretamente o bem-estar físico e emocional da comunidade. “O cheiro é insuportável, os insetos não nos deixam dormir e as crianças estão sempre doentes. Vivemos com medo constante”, relatou.

Ahmad Hajaj, outro residente da região, destacou que as crianças são as mais afetadas. “Elas brincam perto do lixo porque não há espaços seguros. Isso aumenta muito o risco de infecções e doenças”, afirmou.

Infraestrutura destruída agravou crise sanitária

Antes da guerra, Gaza produzia cerca de 2 mil toneladas de resíduos sólidos por dia, segundo dados da Autoridade de Qualidade da Água e do Meio Ambiente. Desse total, aproximadamente 65% eram resíduos orgânicos, seguidos por plásticos, papel, metais e entulho.

Com a destruição de estradas, usinas de tratamento e sistemas de coleta, os serviços de saneamento entraram em colapso, provocando o acúmulo acelerado de lixo em áreas residenciais. A ausência de insumos para controle de pragas agravou ainda mais a situação, limitando as ações preventivas.

Além disso, a contaminação do solo e das fontes de água eleva o risco de doenças hídricas, como diarreia infecciosa, hepatite A e outras enfermidades associadas à falta de saneamento adequado.

Esforço humanitário busca conter danos à saúde

A operação coordenada pelo Pnud, com apoio de outras agências da ONU e organizações humanitárias, visa reduzir os impactos imediatos da crise, minimizar riscos epidemiológicos e restaurar condições mínimas de salubridade.

Embora a iniciativa represente um avanço importante, especialistas alertam que a remoção do lixo, por si só, não resolve o problema estrutural, sendo necessária a reconstrução dos sistemas de saneamento, coleta regular e tratamento adequado dos resíduos.

Agências como a UNRWA reforçam que, sem investimentos contínuos em infraestrutura e saúde pública, Gaza continuará vulnerável a surtos de doenças e a crises ambientais recorrentes.

Saúde pública em estado crítico

A crise do lixo em Gaza não é apenas um problema ambiental, mas uma ameaça direta à saúde coletiva. Em um território já marcado por escassez de água potável, insegurança alimentar e sistema hospitalar sobrecarregado, o acúmulo de resíduos amplia drasticamente os riscos sanitários.

Para organizações humanitárias, o controle dessa crise é essencial para evitar epidemias de grandes proporções e preservar a vida de uma população que enfrenta, diariamente, condições extremas de sobrevivência.

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