Empresário no Colorado cobrava por serviços funerários e entregava concreto no lugar de cinzas às famílias
Por Tatiane Martinelli | GNEWSUSA
O proprietário de uma funerária no estado do Colorado, nos Estados Unidos, foi condenado a 40 anos de prisão estadual por vilipêndio de 190 cadáveres. Jon Hallford, de 46 anos, foi responsabilizado após autoridades encontrarem dezenas de corpos em avançado estado de decomposição nas instalações da empresa que administrava, a Return to Nature Funeral Home.
Além da pena estadual, Hallford já havia sido sentenciado a 20 anos de prisão em âmbito federal por fraude. Segundo a Justiça, ele recebeu cerca de US$ 900 mil — aproximadamente R$ 2 milhões — por serviços funerários que não foram realizados. Parte do dinheiro veio de famílias enlutadas e outra parte de recursos de auxílio emergencial durante a pandemia de covid-19. As penas serão cumpridas simultaneamente.
A descoberta ocorreu em 2023, quando vizinhos relataram um forte odor vindo do prédio da funerária, em Colorado Springs. No local, a polícia encontrou 190 corpos armazenados de forma irregular, alguns desde 2019. De acordo com a denúncia, os cadáveres estavam acondicionados em sacos descartáveis, envoltos em lençóis e fita adesiva, empilhados em prateleiras, sobre macas ou espalhados pelo chão, sem qualquer cuidado sanitário.
Pedido de pena máxima
Familiares das vítimas solicitaram ao juiz a aplicação da pena máxima prevista, de 50 anos. A defesa tentou reduzir a condenação para 30 anos, alegando que o crime não envolveu violência física e que o réu não tinha antecedentes criminais, mas o pedido foi negado.
Durante o julgamento, Hallford declarou estar arrependido e pediu desculpas às famílias. Ele afirmou que aceita a punição e que o remorso o acompanhará pelo resto da vida. A promotoria destacou que os valores cobrados eram suficientes para custear diversas vezes a cremação adequada dos corpos.
Carie Hallford, esposa de Jon e coproprietária da funerária, ainda aguarda sentença na esfera estadual. No processo federal, ela já se declarou culpada e deverá ser sentenciada em março. A decisão estadual está prevista para abril.
Concreto no lugar de cinzas
O casal oferecia serviços de sepultamento ecológico e divulgava a prática da compostagem humana, modalidade legalizada no Colorado desde 2021. No entanto, em vez de realizar os procedimentos contratados, entregava às famílias concreto seco no lugar das cinzas dos entes falecidos.
Devido ao avançado estado de decomposição, muitos dos corpos precisaram ser identificados por meio de exames de DNA. O ambiente foi considerado tóxico pelas autoridades, em razão do acúmulo de gases e da presença de insetos.
As investigações apontaram que os recursos pagos pelos clientes foram utilizados para despesas pessoais, incluindo compra de veículos de luxo, viagens, aquisição de equipamentos estéticos e investimentos em criptomoedas.
A compostagem humana, também autorizada em estados como Washington e Oregon, é apresentada como alternativa ambientalmente sustentável aos sepultamentos tradicionais, com a proposta de reduzir impactos ambientais e a sobrecarga em cemitérios. O caso, porém, expôs graves irregularidades na prestação desse tipo de serviço.
LEIA TAMBÉM:
PF rompe criptografia de celular e aprofunda investigação sobre o Banco Master
STM deve aguardar eleições presidenciais para definir futuro jurídico de Bolsonaro
Trump reage ao show de Bad Bunny no Super Bowl em defesa da identidade americana

Faça um comentário