Relatórios de inteligência indicam avanço acelerado no programa atômico chinês, enquanto Pequim nega testes secretos e reforça discurso de dissuasão defensiva
Por Paloma de Sá | GNEWSUSA
Avaliações recentes da comunidade de inteligência dos Estados Unidos apontam que a China está promovendo a mais rápida expansão e modernização de seu arsenal nuclear desde o início de seu programa atômico, em 1964. Segundo autoridades americanas, o ritmo acelerado dos investimentos e o desenvolvimento de novas capacidades tecnológicas podem alterar o atual equilíbrio estratégico global, ampliando as tensões entre as grandes potências nucleares.
De acordo com relatórios divulgados pelo Departamento de Defesa dos Estados Unidos e por agências de inteligência, Pequim vem ampliando de forma significativa sua infraestrutura nuclear, incluindo a construção de novos silos de mísseis, o aperfeiçoamento de ogivas e a modernização de sistemas de lançamento terrestre, marítimo e aéreo.
Autoridades americanas avaliam que a China poderá triplicar o tamanho de seu arsenal nuclear até 2035, aproximando-se, em termos quantitativos e tecnológicos, das capacidades mantidas por Estados Unidos e Rússia. O movimento, segundo Washington, reforça preocupações sobre uma possível mudança na estratégia nuclear chinesa, tradicionalmente baseada na dissuasão mínima e na política de não empregar armas nucleares em um primeiro ataque.
Fontes do governo dos EUA também mencionam a existência de indícios técnicos que sugerem atividades incomuns em antigas áreas de testes nucleares chinesas, embora não haja confirmação pública e independente de que a China tenha retomado testes explosivos, suspensos oficialmente desde 1996.
O governo chinês nega qualquer violação de acordos internacionais, afirma manter seu compromisso com a moratória de testes nucleares e sustenta que seu programa tem caráter estritamente defensivo. Pequim também acusa os Estados Unidos de distorcerem informações para justificar sua própria modernização militar.
Especialistas em segurança internacional alertam que a rápida evolução do arsenal chinês pode inaugurar uma nova fase da corrida armamentista, dificultando negociações globais de controle de armas e ampliando os riscos estratégicos, especialmente na região do Indo-Pacífico, onde disputas envolvendo Taiwan e o Mar do Sul da China permanecem no centro das tensões geopolíticas.
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