Revisões científicas internacionais indicam que a prática regular de atividades físicas reduz significativamente os sintomas de transtornos mentais, com resultados comparáveis aos de antidepressivos e psicoterapia
Por Paloma de Sá | GNEWSUSA
Praticar atividade física regularmente pode reduzir de forma significativa os sintomas de depressão e ansiedade, com resultados comparáveis aos obtidos com medicamentos antidepressivos e psicoterapia. É o que apontam grandes revisões científicas internacionais, que analisaram dados de mais de 100 mil participantes e reforçam o papel do exercício como ferramenta essencial no cuidado com a saúde mental.
A relação entre exercício físico e saúde mental tem sido cada vez mais confirmada pela ciência. Uma das maiores revisões já realizadas sobre o tema, publicada no British Journal of Sports Medicine, analisou 97 revisões sistemáticas, mais de mil ensaios clínicos e dados de 128 mil pessoas. O resultado foi claro: a prática regular de atividade física pode ser até 1,5 vez mais eficaz do que medicamentos e psicoterapia na redução dos sintomas de depressão, além de promover melhora consistente nos quadros de ansiedade e sofrimento psicológico.
Os pesquisadores observaram benefícios independentemente da intensidade do exercício, o que significa que tanto atividades moderadas quanto vigorosas podem gerar efeitos positivos. Caminhada, corrida, musculação, ioga e treinos aeróbicos se mostraram especialmente eficazes.
Resultados semelhantes aos antidepressivos
Outro estudo relevante, conduzido pela Universidade Vrije de Amsterdã e publicado no Journal of Affective Disorders, comparou diretamente os efeitos da corrida com o uso do antidepressivo escitalopram. Durante 16 semanas, 141 pacientes diagnosticados com depressão e ansiedade foram acompanhados. Parte deles optou pelo medicamento, enquanto outro grupo participou de sessões supervisionadas de corrida duas a três vezes por semana.
Ao final do período, os resultados foram equivalentes nos dois grupos, tanto na redução dos sintomas depressivos quanto na melhora da ansiedade, demonstrando que o exercício pode ser uma alternativa terapêutica eficaz, especialmente para quadros leves a moderados.
Meta-análises reforçam a eficácia
Uma ampla meta-análise publicada no BMJ em 2024, reunindo 218 ensaios clínicos randomizados com mais de 14 mil participantes, concluiu que o exercício físico apresenta efeito semelhante ao da terapia cognitivo-comportamental e pode superar, em alguns casos, o impacto isolado dos antidepressivos. Caminhada, corrida, musculação e ioga lideraram o ranking das modalidades mais eficientes no combate à depressão.
Segundo os pesquisadores, o exercício atua em múltiplos mecanismos biológicos, estimulando a liberação de neurotransmissores como serotonina, dopamina e endorfina, substâncias diretamente ligadas à regulação do humor, da motivação e do bem-estar emocional.
Ansiedade também responde bem ao movimento
Os benefícios não se limitam à depressão. Estudos recentes indicam que a prática regular de exercícios pode reduzir em até 27% o risco de desenvolver ansiedade, além de aliviar sintomas já instalados. Um levantamento publicado na JAMA Psychiatry mostrou que cerca de 11% dos casos de depressão poderiam ser evitados se as pessoas mantivessem níveis adequados de atividade física.
Especialistas explicam que o movimento ajuda a regular o eixo do estresse, diminuindo a produção excessiva de cortisol e promovendo maior equilíbrio emocional.
Exercício não substitui tratamento médico
Apesar dos resultados animadores, médicos alertam que o exercício não deve substituir o tratamento farmacológico ou psicoterápico sem orientação profissional, especialmente em casos graves. A própria comunidade científica reforça que a melhor estratégia costuma ser a combinação entre atividade física, psicoterapia e, quando necessário, medicação.
“O exercício deve ser encarado como parte fundamental do tratamento, e não como solução única”, destacam os autores das pesquisas. A individualização da abordagem é essencial, levando em conta a gravidade dos sintomas, o histórico clínico e as condições de cada paciente.
Quanto exercício é recomendado?
A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda, para adultos:
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150 minutos semanais de atividade aeróbica moderada, ou
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75 minutos semanais de atividade intensa,
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além de exercícios de fortalecimento muscular pelo menos duas vezes por semana.
Mesmo pequenas mudanças na rotina, como caminhadas diárias, já são capazes de produzir ganhos significativos na saúde mental.
As evidências científicas são cada vez mais robustas: movimentar o corpo é uma das estratégias mais acessíveis, eficazes e seguras para prevenir e tratar depressão e ansiedade. Incorporar o exercício à rotina pode representar não apenas mais qualidade de vida, mas também um poderoso aliado na promoção do equilíbrio emocional e do bem-estar psicológico.
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