Gastança do governo empurra juros às alturas e joga a conta no bolso do brasileiro

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Déficit público cresce, dívida se aproxima de 80% do PIB e políticas fiscais irresponsáveis elevam juros, encarecendo crédito e prejudicando famílias e empresas
Por Schirley Passos|GNEWSUSA

Um dia após o governo federal anunciar que “cumpriu” a meta fiscal de 2025 mesmo registrando um déficit de R$ 61,7 bilhões, especialistas alertaram que a conta da desorganização das finanças públicas está recaindo diretamente sobre a população.

Para o diretor-executivo da Instituição Fiscal Independente (IFI), Marcus Pestana, a gastança do governo força o país a conviver com juros elevadíssimos, comparáveis a uma “taxa de agiota”, que encarece crédito, reduz investimentos e corrói o poder de compra dos brasileiros.

A IFI, órgão técnico vinculado ao Senado, aponta que o rombo nas contas públicas em 2025 foi 32% maior do que o registrado no ano anterior, quando o déficit chegou a R$ 42,9 bilhões. O resultado frustra a promessa do próprio governo, que havia se comprometido a zerar o déficit, ainda que dentro do intervalo de tolerância previsto no novo arcabouço fiscal.

Na prática, porém, o cumprimento da meta só foi possível porque o governo retirou do cálculo despesas relevantes, como o pagamento de precatórios (R$ 41,15 bilhões), o ressarcimento a aposentados e pensionistas vítimas de fraudes no INSS (R$ 2,83 bilhões), gastos com projetos estratégicos de defesa (R$ 2,5 bilhões) e despesas temporárias em educação (R$ 2,2 bilhões). Se esses valores fossem incluídos, o déficit real ultrapassaria R$ 79 bilhões.

Segundo Pestana, a consequência direta dessa política fiscal frouxa é o endividamento crescente do Estado, que exige mais empréstimos e pressiona as taxas de juros.

“O governo, ao ficar no vermelho, precisa demandar crédito e acaba elevando os juros a patamares entre os maiores do mundo. São taxas de agiota que a população paga por uma estrutura fiscal frágil e inconsistente”, afirmou em entrevista recente.

O impacto atinge principalmente trabalhadores, pequenos empresários e consumidores, que enfrentam crédito caro, dificuldade para investir e aumento do custo de vida. Enquanto isso, o governo segue gastando mais do que arrecada.

De acordo com a IFI, este já é o 12º ano consecutivo de déficit primário no país, uma trajetória iniciada em 2014. Em 2025, mesmo com aumento real de arrecadação, as despesas cresceram ainda mais, acima da inflação.

Com isso, a dívida bruta do governo central já alcança 79% do PIB, nível considerado elevado para um país emergente. A projeção da IFI indica que, mantido o atual ritmo de gastos, a dívida pode chegar a 84% do PIB até o fim de 2027 e alcançar 117% em 2035, superando o valor de tudo o que o país produz em um ano.

Para Pestana, a falta de responsabilidade fiscal compromete o futuro econômico do Brasil.

“Se não equilibrar as contas, reduzir juros e retomar investimentos produtivos, o país perde competitividade e deixa às próximas gerações um cenário de estagnação”, afirmou.

A IFI calcula que seria necessário um superávit de cerca de 2% do PIB para conter o avanço da dívida pública. No entanto, a perspectiva é negativa, especialmente em 2026, ano eleitoral, quando o governo e o Congresso tendem a evitar medidas impopulares de controle de gastos ou ajuste fiscal.

Enquanto isso, a população segue arcando com juros altos, serviços públicos pressionados e um futuro econômico cada vez mais incerto, resultado direto da política de gastos do governo federal.

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