Alta de até 7,2 pontos percentuais atinge bens de capital, tecnologia e telecomunicações, gera críticas do setor produtivo e deve pesar no bolso do consumidor
Por Paloma de Sá | GNEWSUSA
O governo federal aumentou, no início deste mês, o imposto de importação sobre mais de mil produtos adquiridos do exterior, incluindo smartphones, equipamentos de informática, telecomunicações e máquinas industriais. A elevação, que pode chegar a 7,2 pontos percentuais, reacende o debate sobre os impactos da política tributária na inflação, na competitividade da indústria nacional e no acesso da população à tecnologia, além de provocar críticas de empresários, economistas e representantes do setor produtivo.
Medida amplia custos para indústria e consumidores
A decisão atinge principalmente bens de capital, como máquinas e equipamentos utilizados na produção industrial, além de produtos de tecnologia da informação e telecomunicações, entre eles celulares, componentes eletrônicos, roteadores, servidores, placas e dispositivos de armazenamento.
Na prática, o aumento do imposto eleva o custo de importação para empresas e varejistas, que tendem a repassar parte ou a totalidade desse encargo ao consumidor final. Especialistas alertam que a medida deve pressionar os preços em um momento em que o país ainda enfrenta desafios para conter a inflação e estimular o crescimento econômico.
“O impacto não se limita ao preço dos celulares. Ele atinge toda a cadeia produtiva, desde fábricas que dependem de máquinas importadas até empresas de tecnologia, telecomunicações e serviços digitais”, avalia um economista do setor industrial.
Governo justifica proteção à indústria nacional
Segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), a elevação do imposto faz parte de uma estratégia para estimular a indústria nacional, reduzir a dependência externa e fortalecer a produção interna de equipamentos, especialmente no setor tecnológico.
A pasta argumenta que a medida visa corrigir distorções históricas, nas quais produtos estrangeiros entravam no país com tributação reduzida, competindo de forma desigual com a produção local. Para o governo, o ajuste pode favorecer investimentos em fábricas nacionais, geração de empregos e desenvolvimento tecnológico.
Setor produtivo critica impacto econômico
Apesar da justificativa oficial, entidades empresariais e associações industriais reagiram com preocupação. Para esses grupos, o aumento do imposto encarece investimentos, reduz a competitividade das empresas brasileiras e pode frear a modernização do parque industrial.
Empresários destacam que muitos dos itens tributados não possuem produção equivalente no Brasil, o que torna inevitável a importação. Nesse contexto, o imposto mais alto acaba funcionando como um custo adicional sem contrapartida produtiva.
“Sem acesso a equipamentos modernos e a preços competitivos, a indústria perde produtividade, inovação e capacidade de competir no mercado global”, afirmou um representante do setor de tecnologia.
Smartphones mais caros no horizonte
Entre os produtos mais sensíveis ao consumidor estão os smartphones, cuja cadeia produtiva depende fortemente de componentes importados. Com o novo imposto, especialistas apontam que os preços podem subir gradualmente nos próximos meses, sobretudo nos modelos intermediários e premium.
O Brasil já figura entre os países onde celulares têm um dos preços mais altos do mundo, devido à elevada carga tributária. A nova medida tende a ampliar ainda mais essa diferença, dificultando o acesso da população a dispositivos essenciais para trabalho, estudo e comunicação.
Reflexos na inflação e no consumo
Economistas alertam que a elevação tributária pode pressionar o Índice de Preços ao Consumidor (IPCA), especialmente nos grupos de bens duráveis e tecnologia. Além disso, a redução do poder de compra pode impactar diretamente o consumo das famílias, afetando o desempenho do varejo e do comércio eletrônico.
Para analistas, o momento escolhido para o aumento também gera críticas, uma vez que o país ainda busca consolidar a retomada do crescimento econômico e controlar os efeitos inflacionários acumulados nos últimos anos.
Debate sobre política industrial e tributária
A medida reacende um debate antigo no Brasil: até que ponto elevar impostos de importação protege a indústria nacional ou apenas encarece produtos sem gerar competitividade real.
Especialistas defendem que uma política industrial eficaz deve ir além da tributação, envolvendo investimentos em inovação, infraestrutura, qualificação profissional e redução do chamado “custo Brasil”, que inclui burocracia, logística deficiente e alta carga tributária interna.
Impacto direto no cotidiano
Na prática, o consumidor brasileiro poderá sentir os efeitos da decisão ao tentar comprar celulares, notebooks, peças eletrônicas, roteadores, equipamentos médicos, máquinas industriais e diversos outros produtos que dependem da importação.
Enquanto o governo sustenta que a medida fortalece a indústria nacional, críticos apontam que o custo imediato recai sobre empresas e consumidores, sem garantias claras de retorno em forma de desenvolvimento tecnológico e geração de empregos.
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