Tema ganha protagonismo na disputa, com propostas que vão do endurecimento das regras à defesa da integração como necessidade econômica
Por Chico Gomes | GNEWSUSA
A imigração tornou-se um dos principais pontos de divergência entre os candidatos à Presidência de Portugal nas eleições de 2026. Embora o cargo tenha funções mais moderadoras e não executivas — já que a condução do governo cabe ao primeiro-ministro —, o tema dominou discursos, entrevistas e materiais de campanha, refletindo um debate mais amplo que atravessa a sociedade portuguesa.
De um lado, o candidato André Ventura, líder do partido Chega, adotou um discurso mais rígido e restritivo. Ele associou o aumento da imigração à pressão sobre serviços públicos, habitação e mercado de trabalho, defendendo regras mais duras para acesso a benefícios sociais. Entre suas propostas está a exigência de um período mínimo de cinco anos de contribuição para que imigrantes tenham direito a subsídios estatais. Sua campanha utilizou slogans como “Os portugueses primeiro” e enfatizou a necessidade de maior controle nas entradas e permanências no país.
Ventura sustenta que o atual modelo compromete a coesão social e a sustentabilidade dos serviços públicos, posicionando-se como defensor de uma política migratória mais seletiva e restritiva.
Em contraponto, António José Seguro, do Partido Socialista, apresentou uma abordagem mais moderada. O candidato reconhece a necessidade de organização e regulação da imigração, mas destaca que Portugal enfrenta desafios demográficos significativos, como o envelhecimento populacional e a escassez de mão de obra em setores estratégicos da economia.
Seguro defende políticas de acolhimento e integração, ressaltando a contribuição econômica dos imigrantes para o país. Ele também pontua que o presidente da República tem atuação limitada na definição direta das políticas migratórias, mas pode influenciar o debate público e a orientação institucional.
O contraste entre as propostas evidencia duas visões distintas sobre o papel da imigração em Portugal: uma centrada no endurecimento das regras e na priorização de nacionais, e outra que enfatiza equilíbrio, integração e resposta às necessidades econômicas.
A discussão reflete um cenário europeu mais amplo, em que países enfrentam o desafio de conciliar crescimento econômico, sustentabilidade social e gestão dos fluxos migratórios.
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