Nova política migratória britânica preocupa profissionais de saúde — muitos temem ficar separados de seus entes queridos e deixam em xeque a retenção de trabalhadores essenciais no sistema de saúde
Por Chico Gomes | GNEWSUSA
No Reino Unido, famílias de profissionais de saúde — especialmente enfermeiros e cuidadores — enfrentam incertezas profundas diante de mudanças nas regras de imigração propostas pelo governo. Uma pesquisa recente realizada pela organização de apoio a migrantes Praxis revela que cerca de três em cinco dessas famílias temem ser separadas de seus entes queridos por causa das novas exigências migratórias.
As propostas, formuladas pela ministra do Interior Shabana Mahmood, incluem medidas que dobram o tempo mínimo necessário para um imigrante obter residência permanente no país — passando de cinco para até 10 anos para a maioria dos trabalhadores, e 15 anos em cargos de menor qualificação, como alguns setores de cuidados.
Segundo o levantamento, dois terços dos entrevistados afirmam sentir-se menos bem-vindos no Reino Unido, e mais da metade diz que agora considera a possibilidade de deixar o país por causa do clima de insegurança e das dificuldades para reunir suas famílias.
Críticos da política afirmam que ela pode causar dano econômico e humanitário, além de agravar a crise de pessoal no sistema de saúde britânico, que já depende significativamente de profissionais formados no exterior. Líderes sindicais e especialistas alertam que a dificuldade de trazer familiares e o maior tempo exigido para residência permanente podem desencorajar enfermeiros estrangeiros de permanecerem no serviço nacional de saúde (NHS).
As críticas também vêm de parlamentares que consideram a retroatividade das medidas injusta para quem já vive e trabalha no Reino Unido, e destacam o impacto negativo nas vidas de milhares de migrantes que escolheram o país para construir uma carreira e uma vida em família.
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