Teerã sinaliza concessão inédita em negociações com os EUA; medida reduziria risco de uso militar do material nuclear
Por Tatiane Martinelli | GNEWSUSA
O Irã apresentou sua primeira proposta pública de concessão nas negociações com os Estados Unidos sobre seu programa nuclear. A iniciativa prevê a diluição do estoque de urânio enriquecido, o que reduziria significativamente o potencial de uso militar do material.
A sinalização foi feita nesta segunda-feira (9) pelo chefe da Organização de Energia Atômica do Irã, Mohammad Eslami, durante conversa com jornalistas em Teerã. Segundo ele, o país estaria disposto a adotar a medida caso haja suspensão das sanções econômicas impostas por Washington.
De acordo com dados da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), o Irã possui cerca de 400 quilos de urânio enriquecido a 60% — nível considerado sensível por estar próximo do necessário para a produção de armas nucleares de baixo rendimento. Para ogivas mais potentes, o enriquecimento costuma ultrapassar 80%.
Apesar da sinalização iraniana, o impasse diplomático permanece. Em 2018, os Estados Unidos deixaram o acordo nuclear firmado com Teerã, o que levou ao enfraquecimento do pacto e à retomada gradual, por parte do Irã, de atividades além dos limites anteriormente estabelecidos. A AIEA aponta que o país ultrapassou restrições consideradas centrais no entendimento original.
Israel, principal rival regional do Irã, avalia que o volume atual de material acumulado poderia ser suficiente para a produção de diversas ogivas de menor potência. O tema também envolve preocupações sobre a capacidade iraniana de desenvolver e lançar mísseis balísticos, vista por Israel como fator de instabilidade regional.
Na sexta-feira (6), representantes dos Estados Unidos e do Irã participaram, em Omã, da primeira rodada de negociações indiretas desde o conflito direto entre Israel e Irã no ano passado. Eslami classificou o encontro como difícil, destacando a “falta de confiança mútua”, mas reafirmou que Teerã segue aberto ao diálogo. Ele também mencionou que instalações não atingidas por ataques recentes foram inspecionadas pela AIEA, embora o diretor do órgão, Rafael Grossi, ainda cobre acesso mais amplo.
Do ponto de vista técnico, a diluição do urânio enriquecido consiste na adição de material empobrecido para reduzir seu nível de pureza. O procedimento é comum em processos de desmantelamento nuclear, permitindo que o material seja redirecionado para fins civis. Usinas de energia operam com urânio enriquecido entre 3% e 5%, enquanto aplicações médicas e navais exigem percentuais mais elevados.
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